Revista Mandala

10 coisas das quais eu tive que abrir mão para curar a minha ansiedade

Você vai ter que abrir mão do que está segurando com tanta força para poder dar a mão àquilo que precisa e quer já faz tempo.

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Este artigo é uma tradução. Ele foi escrito por Benjamin Foley na plataforma Personal Growth do site Medium. Você pode acessar o texto original em inglês aqui.

Adapte o que é útil, rejeite o que é inútil e adicione o que é especificamente o seu.

— Bruce Lee.

Para alcançar algo excepcional, é mais importante concentrar-se no que você precisa remover do que no você precisa fazer. Embora exista uma certa fetichização da produtividade na sociedade moderna, acredito que adicionar hábitos é uma forma de procrastinação.

Se você é como eu costumava ser, tende a acumular. Como um cachorro caminhando por uma loja de animais, eu sempre estava perseguindo cada cheiro novo que atravessava o precipício do meu nariz, nunca escolhendo de fato uma coisa só, com medo do que eu poderia estar perdendo se fizesse isso.

Embora a ansiedade tenha sido a causadora de 80% das coisas que deram errado na minha vida, continuei me dizendo que, se eu focasse em um objetivo externo, minha ansiedade seria curada por tabela. Se você já tentou esse método, sabe como essa história acabou para mim.

Eu consegui tudo o que queria. Um trabalho em uma startup. Uma promoção. Um negócio me esperando. Perdi 15 libras. A lista de conquistas foi aumentando enquanto minha ansiedade estava sentada no canto da sala, esperando ser milagrosamente curada por tabela.

(…) O que se segue são as coisas das quais eu tive que abrir mão para poder me curar. Algumas eu reintroduzi na minha vida porque agregam valor, mas eu havia me afastado delas por algum tempo. Você pode ver as coisas mudando quando reajusta alguns botões em sua vida. E aqui estão os botões que eu reajustei:

1. Friends

Toda vez que você se encontrar do lado da maioria, é hora de fazer uma pausa e refletir.

— Mark Twain.

Muitas vezes, os leitores me perguntam qual é o aspecto mais importante para se concentrar em aliviar a ansiedade. Minha resposta é sempre a mesma: relacionamentos.

Eu não acho que você esteja fazendo algo bom para si mesmo tornado-se uma soma das cinco pessoas com as quais gasta a maior parte do seu tempo. Se seu estilo de vida não contribui para seu processo de cura, então ele só atrapalha.

O sucesso, não importa como você o defina, é o resultado de quantas conversas difíceis você está disposto a ter.

No meu caso, as pessoas com quem eu passava meu tempo não ajudavam muito. Não que eu não ame meus amigos, eu amo muito. Mas eles não estavam no mesmo caminho que eu estava, e eu tinha que me expulsar do círculo deles para me curar.

Então, eu fui ao extremo e me mudei para uma cidade completamente diferente, onde não conhecia quase ninguém. Passei os primeiros 90 dias concentrando-me exclusivamente em mim e no meu crescimento.

Agora, isso pode soar egoísta ou insincero, mas se eu nunca tivesse dado esse salto não estaria aqui sentado, escrevendo este artigo. Eu acredito completamente que o sucesso, não importa como você o defina, é o resultado de quantas conversas difíceis você está disposto a ter.

Não existe uma conversa mais difícil do que dizer a um amigo ou a um grupo de amigos que você não quer mais ter um relacionamento com eles. Mas, ao mesmo tempo, é possível que também não exista nada mais importante na vida do que ser fiel a si mesmo e encontrar seu lugar.

Talvez você odeie isso que eu acabei de falar. Você pode pensar que eu sou um idiota por isso. Ou você pode dizer para si mesmo que nunca seria capaz de deixar “seu bando”. E a minha resposta a essa sua ideia é: quanto vale a sua vida?

Não tem problema agir de forma egoísta a curto prazo para proporcionar saúde e bem-estar a longo prazo. Você tem que se cuidar. Pare de pensar nos investimentos que fez.

Os relacionamentos são essenciais para o seu crescimento e para sua cura. Afastar-se de alguém, seja uma pessoa íntima ou não, é uma coisa difícil. Você vai se sentir mal. Mas entenda que você está tomando essa decisão a curto prazo para sua saúde a longo prazo.

Depois, quando você se curar, vai reavaliar cada um de seus antigos relacionamentos, mergulhando lentamente neles. Mas você vai experimentar isso todas as vezes que se afastar um pouco de alguém para se concentrar em buscar novas conexões, com pessoas que estão mais alinhadas aos seus valores, e assim você não vai sentir falta da sua vida antiga.

Tenha as conversas difíceis.

2. Álcool

Um sábio será o mestre de sua mente, um idiota será o escravo.

— Publilius Syrus.

O álcool não é necessariamente perigoso, e eu o reintroduzi à minha vida, embora em um volume muito menor, mas se você quer estar no controle, ele certamente não vai te ajudar. O álcool só vai tornar tudo mais difícil. Medicar a si mesmo, seja como for, é perigoso e vai te deixar muito pior. O álcool, especificamente, é um remédio depressivo, e a ressaca causará uma ansiedade como nenhuma outra.

Eu abri mão do álcool por 90 dias no início da minha jornada. Foi uma experiência de amplitude da minha visão, me fez perceber o quanto a minha vida social e profissional girava em torno desse líquido. Ainda mais interessante foi o que as pessoas me disseram quando eu contei que não estava bebendo.

“Sério? Vamos lá, vamos beber só uma dose.”

As pessoas se sentiam tão ofendidas, elas achavam que eu estava me declarando contra o estilo de vida delas, algo que eu não estava fazendo. Eu simplesmente estava seguro do meu estilo de vida.

Se você precisa de algumas cervejinhas para se sentir sociável, ou se conversar com colegas sem ingerir uma coragem líquida é algo aterrorizante, você deve refletir bastante sobre o quanto essa dependência é oportuna na sua vida. Ao depender de uma substância para chegar a um resultado, você está diminuindo sua própria importância como agente da sua própria vida.

3. Notícias

Eu não votei na últimas eleições.

Antes e agora, admito isso. Eu sei. Eu sei. É meu dever cívico, blá blá blá.

Eu entendi. É meu dever cívico, blá blá blá.

Mas para mim, curar minha ansiedade e alcançar meu crescimento pessoal foi mais importante do que acompanhar o pânico que foram os noticiários de 2016.

Eu comecei a abrir mão lá em janeiro, quando percebi que os noticiários eram o principal gatilho para a minha própria catástrofe de eventos, e achei tão bom fazer isso que nunca mais voltei com tudo ao antigo hábito de acompanhar as novidades do mundo.

Eu não sou um ignorante dos eventos, embora pense que todos seríamos mais felizes se pudéssemos esconder o ano passado sob pedras. Eu estava apenas empenhado em me curar, e as notícias do mundo me prejudicavam, especificamente a mídia digital que prospera exagerando e aterrorizando para conseguir acessos.

Em vez disso, me concentrei no que Jeff Bezos chama de as coisas que não mudam. Aproveitei meu tempo para ler sobre os homens e as mulheres que mudaram o mundo ao longo dos séculos passados. Livros atemporais que são tão verdadeiros agora quanto eram quando foram publicados.

As “manchetes do dia” deviam ser algo que você elege, não algo controlado por uma pessoa de 24 anos sentada em um estúdio. Tenha cuidado.

4. Mentalidade da escassez

O maior perigo para a maioria de nós não é que nosso objetivo é muito alto e não conseguimos alcançá-lo, mas sim que ele é muito baixo e o atingimos com tudo.

— Aristóteles.

Uma das maiores âncoras que me impediam de crescer era a forma como eu via o mundo. Eu pensava que tudo estava em falta. Se eu deixasse o trabalho, pensava que nunca mais acharia um novo. Ou se eu gastasse dinheiro em um seminário de desenvolvimento pessoal, o teria perdido para sempre.

Por isso, para me curar, eu tive que mudar minha mentalidade para uma mentalidade da abundância. Eu tinha que ver o mundo como um lugar bonito que transbordava de bondade, em vez de imaginá-lo como um lugar onde eu tinha que ficar o tempo todo tomando conta das minhas fichas e morrendo de medo de elas serem as únicas que eu teria.

Isso não só me ajudou profundamente a tomar as medidas necessárias para curar minha ansiedade, mas também me levou a uma clareza exponencial sobre tudo, em todas as facetas da minha vida.

Comece a olhar para a vida a partir do que ela já lhe deu. Não a partir do que você não tem. Porque seu copo só vai transbordar quando você fizer essa mudança de perspectiva.

5. Mídias sociais

Ah, o carrossel de pedidos de atenção.

Eu vou ser breve: se você está se comparando com as outras pessoas o tempo todo, exclua essas contas que você mantém em redes sociais. Você não vai ser rebaixado à Era da Pedra por isso. Você não vai perder o contato com seus amigos. E você não vai sentir falta.

Pense muito sobre o que importa. Eu prometo para você que mídias sociais NÃO importam.

6. Buscar dinheiro

No final de 2015, tive que tomar uma decisão. Ou eu ficava no meu trabalho seguro de consultoria ou eu me mudava para Nova York, longe da minha atual noiva, para tentar um emprego em uma startup pela metade do salário. Essa decisão foi difícil de ser tomada porque ia contra tudo o que eu tive que acreditar desde que assisti à minha primeira aula de finanças na universidade.

Mas eu precisava da mudança. Eu precisava sair da zona de conforto. E, o mais importante, eu precisava começar a tomar decisões que não giravam em torno do dinheiro. Em que área da sua vida você se sente inseguro por medo de não ser “bem-sucedido”?

7. Televisão

Outra confissão: não tenho televisão há 15 meses. O que começou pela circunstância em que eu me encontrava ao me mudar para Nova York, culminou em viver a minha vida intencionalmente. Quando você tem uma televisão, se você está mentalmente atento a ela ou não, a terá como o preenchimento perfeito para espaços mortos. No meu caso, esses espaços mortos tinham que ser cultivados por mim mesmo.

Quando as pessoas perguntam como eu li mais de 80 livros nos últimos 15 meses, eu digo: “É simples. Retire o cabo da televisão da sua parede e jogue essa coisa maldita fora.”

Semelhante às mídias sociais, a televisão não está ajudando você a viver uma vida melhor. É sério. Se você ama filmes, então dê o verdadeiro passo para verdadeiramente (respira fundo) ir até uma sala de cinema. Dessa forma, você estará atento ao que está fazendo.

A falta de uma televisão tem sido a maior guinada de vida que encontrei até agora.

8. O que pensam de mim

Como alguém que enfrentou crises de ansiedade, eu me preocupava demais com o que outras pessoas pensavam sobre mim. Não vou entrar em muitos detalhes, mas vou dizer isso…

Elas que se danem.

Que se danem suas opiniões. Que se danem sua permissão. Mande tudo isso se danar com tanta força que você vai criar um rebuliço do tipo que vai te empurrar e te deixar ainda mais próximo da vida que você realmente quer levar.

Ao se importar para o que os outros pensam de você ou do seu trabalho você está se impedindo de viver a vida que deseja. É uma batalha ao longo da vida, mas comece agora, assim você não vai acorda aos 50 anos em uma casa num bairro chique, sem saber como chegou lá, sabendo apenas que a opinião de outra pessoa ditou suas decisões.

Segui de coração o conselho de Brene Brown e escrevi uma pequena lista de pessoas com cuja opinião sobre meu trabalho eu realmente me importo. Alguns estão na área criativa, tentando construir algo além do nada, e alguns são amigos íntimos. Mas nenhum deles é um crítico do tipo que eu achasse que deveria obedecer para viver do jeito certo.

Faça a mesma coisa. Escreva uma lista com as pessoas cujas opiniões importam. E esqueça o resto.

9. Auto-rotulação

No dia em que parei de me rotular como “uma pessoa ansiosa”, minha cura tomou um novo rumo. Eu ouço isso o tempo todo de leitores e pessoas envolvidas no mundo da saúde mental. Eles adoram etiquetar. Estão todos sempre criando novos termos.

Outro dia, uma mãe veio até mim pedindo conselhos. Ela disse que seu filho havia sido diagnosticado com “síndrome da criança sensível”.

Eu não pude evitar pensar que ela estava fazendo uma piada. Era por isso que o filho dela tinha que estar sempre batalhando contra algo. Ele não tinha chance nenhuma contra isso se continuava sendo rotulado com termos que não só ficam mais absurdos, mas são completamente debilitantes.

Veja bem, eu entendo a importância clínica de diagnosticar pacientes. Mas até onde nós devemos ir?

A questão é quem se importa com o que você é. Ter um rótulo faz você se sentir melhor? Isso ajuda você a se curar mais rápido? As etiquetas, na minha opinião, estão atrapalhando, não ajudando. Elas colocam você na mentalidade da vítima, e quando você está nesse lugar é quase impossível sair.

Pare de se rotular e comece a focar sua energia na busca de uma solução para seu problema. Sim, estou dizendo para você jogar consigo mesmo. De que outra forma você acha que vai crescer?

10. 80% das minhas coisas

Quando eu tomei a decisão de me mudar para Nova York, me livrei de 80% das coisas que eu possuía, e não poderia estar mais feliz com isso. Os bens materiais, na minha opinião, são pesos que o impedem de correr riscos. Eles vão tornar mais difícil que você se mude para uma nova cidade, que você deixe um emprego ou que comece um novo negócio.

Abrir mão para dar a mão

Não, eu não acho que você precisa abandonar tudo o que eu abandonei. A lista acima é exatamente o que eu tive que deixar ir para que novas coisas viessem. Sua lista será diferente.

É muito mais fácil tentar adicionar coisas à sua vida continuamente, e muito mais difícil mergulhar profundamente na terra da vida para encontrar as ervas daninhas. Mas, a menos que você encontre as ervas daninhas e as erradique da sua vida, você nunca encontrará sua cura. Peço que você pratique o que Jerry Colonna chama de “auto-indagação radical”, se enfiando nas cavernas mais escuras dentro de você, certificando-se de que não há nenhuma pedra virada, e assim vai finalmente se curar.

Vai ser difícil. Vai valer a pena.

Edmar Borges

Um latino-americano sem dinheiro no banco nem parentes importantes, graduando em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto e vindo do interior de Minas Gerais. Você também me encontra no Obvious Lounge e no Medium Brasil.

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