Revista Mandala

10 motivos pelos quais o vegetarianismo vai ajudar a salvar o planeta

Se você ainda duvida que a indústria de carnes é destrutiva para o planeta, há 10 informações que queremos compartilhar.

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Este artigo é uma tradução. Ele foi escrito por John Vidal no The Guardian. Para acessar o texto na íntegra e em inglês, clique aqui.

Se nós realmente queremos reduzir o impacto humano sobre o meio ambiente, a coisa mais simples e barata que alguém pode fazer é comer menos carne. Por trás da maioria da carne ou do frango que chega aos nossos pratos há um gigantesco sistema agrícola, destruidor de energia e terra, que devasta as florestas, polui os oceanos, rios, mares e o ar, que depende do petróleo e do carvão e é significativamente responsável pelas alterações climáticas.

A forma como criamos animais agora é reconhecida pela ONU, por cientistas, economistas e políticos, como problemática tanto para nós quanto para o planeta, pois está tudo interligado. Com um bilhão de bocas no mundo sem comida suficiente e 3 bilhões de bocas para alimentar nos próximos 50 anos, a urgência de repensar nosso relacionamento com os animais é extrema.

1. A indústria de carnes sobreaquece o planeta

Nós, seres humanos, comemos cerca de 230 milhões de toneladas de animais por ano, o dobro do que c consumíamos há 30 anos. Criamos principalmente quatro espécies – galinhas, vacas, ovelhas e porcos – que precisam de grandes quantidades de alimentos e água, emitem metano e outros gases que contribuem para o efeito estufa e ainda produzem montanhas de resíduos materiais.

Mas e para o ecossistema do mundo, quanto custa nossa alimentação carnívora? A resposta é urgente, mas os números são imprecisos. Em 2006, a ONU calculou que as substâncias emitidas na criação de gado para produção da nossa carne corresponde a 18% de todas as substâncias prejudiciais emitidas no mundo – mais do que os carros, os aviões e todas as outras formas de transporte juntos.

Os autores do relatório, denominado “Livestock’s Long Shadow”, não contaram apenas o metano da produção orgânica de gases, mas também dos gases liberados na produção de adubo, do óleo que queima enquanto se transporta as carcaças para os mercados a milhares de quilômetros de distância, da eletricidade necessária para manter a carne fresca, do gás usado para cozinhar, da energia necessária para arar e colher os campos que cultivam o pastos onde os animais comem e até do bombeamento de água que o gado precisa.

O índice de 18% foi revisto em 2009 por dois cientistas do World Bank e aumentou para mais de 51%, mas as tentativas de compreender plenamente a situação da ingestão de carne são julgadas simplistas. Os estudos deveriam levar em conta a produção em fazendas gigantes dos EUA ou em uma criação mais sustentável na Europa? Deve-se considerar também o desmatamento em larga escala causado pelo gado?

E quanto ao fertilizante usado para cultivar os pastos, ou às emissões do aço necessárias para construir os barcos que transportam o gado? Ou as emissões secretas – gases de efeito estufa que são liberados por atividades de substituição para produzir alimentos se desistirmos da carne?

E é justo levar em consideração os animais usados para propósitos múltiplos, como isso acontece principalmente em países em desenvolvimento, desde para o fornecimento de energia elétrica até para produzir o couro do sapato ou do veículo de transporte, e que só se tornam carne uma vez que atingem o fim de suas vidas econômicas?

É um pesadelo contábil, mas, dependendo de como é feito, a contribuição do gado para a mudança climática pode resultar em um índice tão baixo quanto 5-10% das emissões globais ou em um índice tão absurdo quanto 50%. No ano passado, um relatório da Food Climate Research Network concluiu que o consumo de carne e lácteos no Reino Unido era responsável por 8% das emissões de gases de efeito estufa do país. Mas, paralelo a isso, a pecuária é considerara uma das três maiores fontes de emissões de gases que aceleram as mudanças climáticas e também uma das maiores contribuintes para a degradação ambiental.

2. Não vai ter comida nenhuma

Considerando que a população humana deverá crescer em 3 bilhões, que há incentivo nos países em desenvolvimento para que se coma mais carne e que o consumo global de alimentos vai dobrar em 40 anos, a mãe de todas as crises de alimentos está descendo a estrada na nossa direção.

A quantidade de alimentos que cultivamos não é apenas limitada pela quantidade de terra disponível, mas os consumidores de carne precisam de muito mais espaço do que os vegetarianos. Uma família bengali que vive de arroz, feijão, vegetais e frutas pode viver em um acre de terra ou menos, enquanto o americano médio, que consome cerca de 270 quilos de carne por ano, precisa de 20 vezes mais que isso.

Em média 30% da área de superfície sem gelo disponível do planeta são agora utilizados para o gado ou para o cultivo de alimentos para esses animais. Um bilhão de pessoas passam fome todos os dias, mas o gado agora consome a maioria das plantações do mundo. Um estudo da Universidade de Cornell em 1997 descobriu que cerca de 13 milhões de hectares de terra nos EUA eram usados para cultivar vegetais, arroz, frutas, batatas e feijão, mas 302 milhões eram voltados para o gado. O problema é que os animais de fazenda são conversores ineficientes de alimento para carne em si. A de frango é a mais rentável, pois é necessário 1kg de carne para produzir mais 3,4kg, mas os porcos precisam de 8,4 kg para esse mesmo quilo.

Outros acadêmicos calcularam que, se os grãos que alimentam os animais nos países ocidentais fossem consumidos diretamente pelas pessoas em vez dos animais, poderíamos alimentar pelo menos duas vezes mais pessoas – e possivelmente muito mais ainda – do que alimentamos agora.

Para agravar a situação, nossa fome de comida animal levou ao excesso de terras frágeis, à erosão e à desertificação de solos. O pastoreio excessivo, desde as terras baixas do sul da Inglaterra até as terras altas da Etiópia e das montanhas do Nepal, causa grande perda de fertilidade e inundações.

Mas esses dados devem ser tratados com cautela. Os estrume de animais podem revitalizar o solo e milhões deles vivem em terras abandonadas, bastante inadequadas para o plantio.

Mas antes de tirarmos conclusões e generalizar os meios e produção de gado, consideremos o seguinte: nos países ocidentais, os animais são criados para que se obtenha a maior quantidade possível de carne no menor tempo possível depois que eles foram abatidos. Mas nas regiões mais pobres, o gado – especialmente em áreas secas – é fundamental para a vida e a cultura humanas, e, muitas vezes, é a única fonte de alimento e renda para muitos milhões de fazendeiros.

O fluxo constante desses fazendeiros nômades em vastas áreas é o que sustenta muitas economias africanas, e um importante e recente estudo do Instituto Internacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento sugere um método de agricultura muito mais ecologicamente eficiente do que a forma como o gado é criado na Austrália ou nos EUA.

3. Gado exige muita, muita água

Ao comer um bife ou um pedaço de frango, você está consumindo a água que o animal precisou para viver e crescer antes de ir parar no seu prato. O autor vegetariano John Robbins calcula que leva cerca de 40, 60, 90 e 110 litros de água para que se produza um quilo de batatas, de trigo, de milho e de arroz, respectivamente. Mas um quilo de carne bovina exige cerca de 10.000 litros. Do mesmo modo, cerca de 1.000 litros de água são necessários para se produzir um litro de leite.

4. E provoca o desmatamento

O agronegócio global tem sido sustentato nos últimos 30 anos pelas florestas tropicais – não pela sua madeira, mas pela sua terra, que pode ser usada para pastar gado ou cultivar óleo de palma e de soja. Milhões de hectares de árvores foram derrubados para fornecer hambúrgueres para os EUA e, mais recentemente, para fornecer alimentos para animais de fazendas da Europa, da China e do Japão.

No seu último relatório alimentar, What’s Feeding Our Food? Friends of the Earth calcula que cerca de 6 milhões de hectares de terras florestais por ano – equivalente à Letónia ou duas vezes o tamanho da Bélgica – são convertidos em terras agrícolas.

5. A indústria pecuária é tóxica à atmosfera da Terra

A agricultura em escala industrial agora domina as indústrias ocidentais de gado e de aves, e uma única fazenda pode gerar tanto desperdício quanto uma cidade. Uma vaca excreta cerca de 40kg de estrume por cada quilo de carne comestível que ela gera e, quando você tem milhares delas em uma pequena área, o resultado pode ser trágico.

Seu estrume e sua urina são canalizados em grandes lagoas de resíduos, capazes de ocupar muitos galões. Esses galões muitas vezes quebram, vazam ou transbordam, contaminando com nitrogênio, fósforo e nitratos o abastecimento de água subterrânea e os rios.

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6. E também aos oceanos

O recente desastre de poluição por óleo no Golfo do México não é o único problema que assola aquela região. Uma vasta parte da costa marítima do Mississipi se tornou uma “zona morta”, o que acontece quando há quantidade em excesso de nutrientes provenientes de lixo animal, das fazendas industriais, do esgoto, de compostos de nitrogênio e fertilizantes que são varridos pelo poderoso rio. Isso provoca flores de algas que absorvem todo o oxigênio na água até o ponto onde pouco pode viver.

Cerca de 400 zonas mortas (que podem ter de um a mais de 70.000 km²) já foram identificadas, dos fiordes escandinavos ao mar do sul da China. A agricultura animal não é o único culpado por isso, mas é um dos piores.

7. O que significa que o ar que respiramos está em risco

Qualquer um que tenha vivido perto de uma grande fábrica sabe que os cheiros podem ser fortes. Além de gases de efeito estufa, como o metano e o dióxido de carbono, as vacas e os porcos produzem muitos outros gases poluentes. Não se conhece as estimativas globais, mas, nos EUA, as plantações para ração animal e para a alimentação direta do gado são o motivo de uso de 37% dos pesticidas. Quase dois terços da amônia artificial – um dos principais contribuintes para a chuva ácida – também é gerada pelo gado. Além disso, a produção industrial concentrada de animais contribui para a poluição do ozônio.

8. Além disso, a indústria pecuária está criando super bactérias

Milhões de libras de antibióticos são adicionados à alimentação animal por ano para acelerar o crescimento do gado. Isso faz com que as bactérias se tornem cada vez mais resistentes e assim se tornará cada vez mais difícil tratar doenças humanas.

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9. E drenando o petróleo do mundo

A economia ocidental de criação de animais baseia-se no petróleo, razão pela qual houve distúrbios alimentares em 23 países quando o preço do petróleo atingiu o pico em 2008. Todos as etapas da sucessão de eventos que traz carne à mesa exige eletricidade, desde a produção do fertilizante, ao colocar a terra para cultivar a alimentação animal, ao bombear a água que eles precisam dos rios ou do subterrâneo, até o combustível necessário para transportar a carne em gigantes navios refrigerados e mantê-las nas prateleiras dos supermercados. De acordo com alguns estudos, um terço de todos os combustíveis fósseis produzidos nos Estados Unidos agora vai para a indústria pecuária.

10. Resumindo: comer carne custa caro em muitos sentidos

As pesquisas sugerem que 5% a 6% da população não come carne, com muitos milhões de outras pessoas conscientemente reduzindo a quantidade de carne que comem ou apenas comendo ocasionalmente. Isto é confirmado por novas estatísticas governamentais que mostram que, no ano passado, comemos 5% menos carne do que em 2005.

Mas as quantidades ainda são surpreendentes: de acordo com a Sociedade Vegetariana, a média de consumo de carne da população britânica é de mais de 11.000 animais durante a vida: 1 ganso, 1 coelho, 4 bovinos, 18 porcos, 23 ovelhas e cordeiros, 28 patos, 39 perus, 1.158 frangos , 3.593 mariscos e 6.182 peixes.

Por isso, dizem os vegetarianos, os carnívoros têm mais chance de desenvolver obesidade, câncer, doenças cardíacas e um grande rombo no bolso. Uma dieta à base de carne é aproximadamente o dobro do preço de uma dieta vegetariana.

Edmar Borges

Jornalista latino-americano sem dinheiro no banco nem parentes importantes, ilustrador vindo do interior de Minas Gerais. Acredita que um dia a tecnologia e a espiritualidade vão ter uma linda prole. Você também me encontra em omxxnamashivaya.tumblr.com

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