Revista Mandala
Índios Kiriri de Mirandela. (Foto: Divulgação)

A Bienal de Cinema Indígena chegou

E ela será o evento brasileiro mais surpreendente que você vai ver nos próximos dias.

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Deixe Hollywood. Esqueça a plasticidade previsível, os roteiros combinados e os efeitos especiais dos filmes de ação. A 2ª edição do Aldeia SP – Bienal de Cinema Indígena, que começa amanhã (7) em São Paulo, convida para um mundo audiovisual mais rico e poderoso. São 53 produções que surgiram do olhar e da técnica diferenciados dos índios e das índias brasileiros/as. Até o dia 12 de outubro, esses trabalhos estarão em exibição para o público interessado na cultura e nas percepções ameríndias, que também poderá participar de debates e conversas sobre os filmes.

As mostras acontecerão em salas do Circuito Spcine de Cinema, nas unidades dos Centros Educacionais Unificados (CEUs) da Prefeitura de São Paulo e no Centro Cultural São Paulo (CCSP).

Quem chegou primeiro?

A visibilidade às produções indígenas é uma das grandes e mais ricas consequências que um evento deste porte e conteúdo gera. Durante uma semana, um ponto de vista diferente será exposto. Isso pode servir como um descanso do modelo consolidado na indústria cinematográfica, mas não é essa a questão. Os cineastas indígenas que foram convidados para a bienal não buscam proporcionar o descanso, mas apresentar com legitimidade algo diferente, sob uma estética especial.

Além disso, os trabalhos envolvem conceitos e discursos próprios de seus realizadores. São 305 povos indígenas no Brasil, 274 idiomas diferentes. E o resultado dessa variedade habitará cada frame, cada segundo e cada tomada nesse festival de etnia, espiritualidade e talento. Para tanto, era mesmo preciso um evento à parte. Um evento que oferecesse o espaço e a oportunidade dignos de quem chegou nessas terras primeiro, de quem faz arte e constrói mundos desde muito antes da chegada do primeiro “cara pálida”.

Cena de Ete Londres - London as a Village, documentário de Takumã Kuikuro que busca as semelhanças entre a metrópole e uma aldeia. (Foto: Reprodução)
Cena de Ete Londres – London as a Village, documentário de Takumã Kuikuro que busca as semelhanças entre a metrópole e uma aldeia. Veja o trailer aqui. (Foto: Reprodução)

As mulheres no cinema indígena

A participação feminina nas produções que estarão em mostra na próxima semana é uma das características mais marcantes do evento. A importância do papel das mulheres nos povos indígenas reverbera nos filmes, clipes e animações. Só das etnias oriundas da região do Rio Negro, maior afluente da margem esquerda do Rio Amazonas, foram 11 filmes, dos quais a maioria foi realizado por mulheres.

Isso se deve, em grande parte, ao protagonismo da mulher nas lutas indígenas. Os movimentos pedem sua presença porque seu papel na cultura dos seus povos tem se tornado cada vez mais abrangente e vigoroso. Com a afirmação de sua importância, as mulheres indígenas adquirem espaço criativo nas aldeias, inclusive no meio audiovisual.

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Serviço

Abertura:  7 de outubro, às 16h, no Centro Cultural São Paulo.

Evento completo: 7 a 12 de outubro.

Entrada gratuita. Para conferir a programação, clique aqui.

 

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Você conhece a Yandê? É a primeira rádio indígena do Brasil! Veja aqui como essa inciativa surgiu e sua importância para o cenário sócio-étnico do país.

Edmar Borges

Jornalista latino-americano sem dinheiro no banco nem parentes importantes, ilustrador vindo do interior de Minas Gerais. Acredita que um dia a tecnologia e a espiritualidade vão ter uma linda prole. Você também me encontra em omxxnamashivaya.tumblr.com

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