Revista Mandala

A fabricação de órgãos em chip poderá libertar os animais de testes em laboratório?

Cientistas desenvolvem método para fabricar “coração em chip” que pode revolucionar os experimentos para remédios cardíacos.

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Não é bem segredo que muitas espécies de animais são feitas de cobaias para testes que medem a eficiência e o funcionamento de produtos destinados à utilização humana, de medicamentos a vacinas, dos cosméticos aos produtos de limpeza (inclusive aqueles que você manipula somente com luvas). Geralmente, os porquinhos-da-índia, os coelhos, os camundongos e os macacos são os escolhidos para os testes científicos e de laboratório, mas cães e porcos também entram nessa lista.

A boa notícia é que, com o avanço tecnológico nos laboratórios, centenas de milhares de animais poderão ser salvos desse destino. Isso porque torna-se cada vez mais possível e viável, por exemplo, simular interações moleculares em computador, ou desenvolver novas tecnologias in vitro, como os biochips. Os “órgãos em chip“, que reproduzem em detalhes o funcionamento de órgãos humanos, prometem eliminar os experimentos em animais pois os livrarão da tarefa de “comer primeiro” (mesmo porque, em muitos casos, isso não funcionou muito bem).

Inteligência artificial em prol da vida

Imagem que apresenta vários aspectos do trabalho do grupo (Crédito: Grupo de Biofísica da Doença, Universidade de Harvard, Cambridge, MA)

Um exemplo é o “coração em chip”, que poderá ser utilizado por empresas farmacêuticas em experimentos relacionados à reação do tecido cardíaco humano a estímulos externos, por exemplo. E além de poupar a vida de animais que jamais consentiram com a função que são obrigados a exercer na história humana, essa tecnologia vai tornar os testes de remédios para o coração muito mais rápidos e seguros.

Até agora, uma das maiores dificuldades com relação à viabilidade desse “coração em chip” enquanto ferramenta prática na pesquisa biomédica era a sua fabricação quase “caseira”, feita manualmente pelos cientistas em seus próprios laboratórios. Uma equipe da Universidade de Harvard (EUA), no entanto, parece ter encontrado uma maneira de fabricar esse material em larga escala, de forma padronizada e automatizada.

Conduzido pela Dra. Lisa Scudder,  o método desenvolvido faz uso de um laser ultravioleta que cria padrões no hidrogel durante a produção do “coração em chip”, o que possibilita que as células cardíacas se alinhem em estruturas de tecido laminar organizadas, da mesma maneira como acontece no coração humano real. Isso significa que o novo processo é um verdadeiro avanço na busca por uniformidade da produção, tornando o “coração em chip”, assim como demais órgãos a serem simulados, mais acessível e escalável.

Você acredita que há várias maneiras de proteger e defender a vida animal? Se tiver alguma experiência neste sentido, conte para nós! Deixe seu comentário 😉

Edmar Borges

Jornalista latino-americano sem dinheiro no banco nem parentes importantes, ilustrador vindo do interior de Minas Gerais. Acredita que um dia a tecnologia e a espiritualidade vão ter uma linda prole. Você também me encontra em omxxnamashivaya.tumblr.com

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