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Foto: Edmar Borges/Revista Mandala

A felicidade deveria estar na primeira página dos jornais, por Monja Coen

A missionária oficial da tradição Soto Shu falou sobre os altos e baixos da vida no II Congresso Internacional de Felicidade.

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A manhã de domingo foi da Monja Coen no II Congresso Internacional de Felicidade, que aconteceu em Curitiba (PR) no último final de semana e proporcionou experiências incríveis às centenas de participantes que acompanharam o evento na Ópera de Arame. Ao olhar para a felicidade sob vários primas diferentes, os palestrantes do congresso levaram conhecimento e sabedoria ao palco.

Com Monja Coen Roshi, é claro, não podia ser diferente. A fundadora do monja zen budista falou sobre impermanência, gratidão e o exercício pleno do amor. Com o tema “Nirvana – tranquilidade plena de sabedoria e compaixão: A Felicidade segundo o Zen Budismo“, a missionária abordou os aspectos do estado de iluminação absoluta, tais como treinar o ponto de vista correto, praticar a meditação correta (e bem direcionada) e lembrar-se corretamente do autoconhecimento que cada um já possui dentro de si.

Monja Coen, missionária oficial da tradição Soto Shu, falou a centenas de participantes do II Congresso Internacional de Felicidade e questionou a forma como se noticia apenas eventos ruins ou trágicos nos veículos de comunicação (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)

Vamos dar visibilidade para o bem?

De acordo com ela, acessar o estado de samadhi, um dos sete fatores da iluminação, é fundamental e revigorante. Isso pode ser feito por meio da música, por exemplo. “O canto é uma coisa preciosa”, ela afirmou. “Ele mexe com os pulmões, coma respiração correta. A dança também é importante, o movimento”. Além disso, a monja recordou que a felicidade é totalmente alcançável. “Tudo o que nós temos está ao nosso alcance. A felicidade está aqui, não está lá”.

As boas notícias merecem visibilidade

Perceber a beleza de cada momento é, segundo a missionária, uma forma de se atentar para o que realmente importa e traz felicidade. As notícias ruins, assim como os sentimentos e as pessoas que não fazem bem, sempre existiram e sempre existirão, mas o quanto olhamos para isso pode influenciar de forma poderosa na perspectiva pessoal de cada um sobre a vida que leva e o mundo em que vive.

A participação da Monja Coen no evento aconteceu na manhã de domingo (26) e contagiou os participantes (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)

“Vamos olhar para o que há de bom?”, a Monja Coen convidou. “Vamos dar visibilidade para o bem? É só mudar o ângulo que a gente vai perceber quanta coisa maravilhosa está acontecendo neste momento, neste país e no mundo inteiro”.

Outro ponto importante para o qual a monja despertou a plateia de centenas de pessoas foi o do “desilusionismo”, termo utilizado pelo professor Hermógenes, um dos pioneiros do yoga no Brasil, para descrever o momento em que percebemos que algo não é como havíamos imaginado ou esperado que fosse. A cada desilusão, como a monja ressaltou, nos tornamos mais fortes na nossa caminhada. Afinal, “felicidade não é estar contente o tempo todo, é gostar da vida do jeito que ela é”.

“Por que a felicidade não está nas primeiras páginas dos jornais? Não se fala das coisas boas”, a monja observou. “Por que não temos visibilidade? Existe corrupção no mundo inteiro, mas existem pessoas boas. A vida é uma coisa gostosa, com altos e baixos, alegria e tristeza… Nirvana é felicidade porque é sabedoria, uma percepção mais profunda da realidade, é olhar e não ver só a superfície”.

Empatia no caminho da felicidade

De acordo com a monja, acessar uma nova perspectiva sobre si mesmo(a) é um processo que, aos poucos, a partir das escolhas pessoais de cada indivíduo, vão gerando transformações no comportamento. “Você reage ou responde?”, ela perguntou ao público. “Ao responder, você se torna criadora da sua vida, você escolhe como vai responder ao mundo. Para isso, precisa de treino”.

Foto: Edmar Borges/Revista Mandala

Na meditação você entra em contato com quem você é. Nem bom bom, nem mau, nem bonito, nem feio: um ser humano.

Uma das maneiras de desenvolver um novo olhar é abrir-se para a empatia com as outras pessoas, sugeriu ela. Antes de julgar alguém, perguntar-se quem é essa pessoa, qual sua história, de onde ela veio e o que ela viveu para que se manifeste de tal maneira. Além disso, dar o melhor de si em cada situação. “Como você faz o melhor de você? Não importa o trabalho, lavar a pia ou escrever um tratado de física nuclear, como você está presente e sendo excelente em cada coisa que faz?”

Além disso, a Monja Coen também chamou a atenção para o ego como empecilho na consciência sobre a felicidade. “Quando você diz ‘eu sou uma pessoa boa, vou fazer uma boa ação’, joga isso fora, é o ego”, sugeriu a missionária. E contou que a prática meditativa é uma maneira de se encontrar consigo mesmo em suas buscas. “Essa parte da mente (o ego) não deixa a gente acessar a essência do ser, e na meditação você entra em contato com quem você é. Nem bom bom, nem mau, nem bonito, nem feio: um ser humano”.

Confira a seguir mais imagens do II Congresso Internacional de Felicidade:

Foto: Edmar Borges/Revista Mandala
Foto: Edmar Borges/Revista Mandala
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Participação mais que especial durante a fala da Monja Coen: o cão Nino chegou a subir ao palco e depois repousou no colo da amiga Isa Corrêa (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)
Em um quadro negro, os participantes podiam completar a frase “Antes de morrer…” (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)
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No Festival da Felicidade, evento paralelo ao congresso, o público pôde praticar yoga e assistir a vários shows gratuitamente (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)
O lindíssimo cachorro Nino não escapava das lentes da nossa cobertura (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)

Edmar Borges

Jornalista latino-americano sem dinheiro no banco nem parentes importantes, ilustrador vindo do interior de Minas Gerais. Acredita que um dia a tecnologia e a espiritualidade vão ter uma linda prole. Você também me encontra em omxxnamashivaya.tumblr.com

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