Revista Mandala

As coisas que você possui, possuem você: como ser feliz com pouco?

Parece que os bens materiais vão trazer o que você mais quer, mas será que o que você mais quer é ter bens materiais?

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Este trecho é uma tradução. Ele foi escrito originalmente por Benjamin Foley na plataforma Personal Growth do site Medium. Para acessar o texto na íntegra e em inglês clique aqui.

Você não é o seu trabalho, você não é a quantidade de dinheiro que tem na sua conta do banco. Você não é o carro que dirige. Você não é o que tem dentro da sua carteira. Você não é essa sua roupinha. Vocês estão todos cantando, todos dançando em volta do que há de mais bobo no mundo.

— Chuck Palahniuk, Fight Club.

Aceitar algo de verdade não é fácil. Pode ser difícil assimilar a ideia de que a maneira como você sempre viu o mundo talvez não seja mais a que funciona melhor. Mas isso não é motivo para não olhar para o mundo de forma diferente.

Eu tive que concordar com o fato de que a maneira como eu vivia minha vida não estava me satisfazendo. Eu tive que perceber que a noção de sucesso que eu vinha perseguindo por anos era vazia. Mais importante, eu tive que aceitar que eu era o único culpado pela situação em que eu estava.

Eu estava seguindo o típico fluxo americano. Obter o diploma. O emprego. Mudar-se para a cidade. Alugar um apartamento. Eu estava no fluxo certo, ou então era o que eu achava. Fiquei tão empenhado em ter sucesso que eu tinha me perdido do motivo pelo qual eu queria ser sucedido. Qual era o propósito de trabalhar longas horas, ganhar muito dinheiro e crescer na vida?

Honestamente, eu não sabia. Era a única coisa que eu tinha em mente. Essa vida insensata, sem controle, criou uma enorme ansiedade na minha vida. Eu estava perdido. Eu não sabia mais no que acreditar. E foi nesse espaço que eu descobri a vida consciente e o minimalismo.

Milhões de pessoas estavam tendo que lidar com exatamente os mesmos problemas que eu lidava e elas estavam fazendo algo sobre isso. Elas estavam retomando o controle de suas vidas e fazendo algumas coisas surpreendentes. Imediatamente, fiquei viciado. Ao viver intencionalmente, eu poderia seguir um trabalho com o qual eu era apaixonado sem renunciar a nada que me trouxesse o valor verdadeiro.

O não-sonho americano

O sonho americano está mudando para milhões de pessoas. Os trabalhos estão em colapso; os salários estão estagnados, e mesmo com todos os nossos avanços tecnológicos, a produtividade econômica não aumentou.

A maioria das pessoas associa mais dinheiro com mais felicidade, devido à liberdade que eles acreditam que o primeiro irá trazer. Mas não é bem assim. Como muitas pessoas sabem, há um limite para a utilidade econômica (leia-se felicidade) que o dinheiro traz e esse limite é de cerca de US $ 70.000 a 80.000 por ano para os casais. O número varia em cada cidade, mas a verdade permanece: o dinheiro não traz felicidade.

Na verdade, as coisas que você possui, incluindo aquela enorme hipoteca de 30 anos da sua casa, são mais uma responsabilidade para o seu crescimento e felicidade do que seus estimuladores.

A maioria das pessoas vê as coisas que possuem como estímulo. Elas olham para o armário ou para a sala de estar e vêem produtos valiosos que aumentam sua auto-estima. O problema dessa perspectiva é que as coisas raramente proporcionam o tipo de satisfação que nós achamos que elas vão proporcionar. Na verdade, as coisas que você possui podem muito bem ser a responsabilidade que o impede de viver uma vida do seu próprio jeito.

Ao ser líder de si mesmo e assumir o desafio de seguir uma vida mais consciente, você também poderá ter acesso a toda a sua capacidade de controlar sua liberdade financeira e pessoal. Aqui estão algumas estratégias simples que você pode começar a implementar hoje, caso queira:

A sabedoria alternativa sobre o viver

When it comes right down to it, the challenge of mindfulness is to realize that “this is it.” Right now is my life. And I accept that.

— Jon Kabat-Zinn.

Minimalismo, ou vida consciente, não é sobre não possuir nada e se mudar para Walden Pond, embora essa não seja a pior ideia de todas para a maioria dos americanos endividados.

O minimalismo é tão poderoso porque ele permite que você arrisque mais e faça mais coisas que você quer agora que você tem menos coisas para pagar e menos coisas para deixar para trás.

Em outras palavras, menos é mais.

Pode ser que tenha chegado a hora de dar uma boa olhada no caminho que você vem seguindo, nas coisas em que você gasta seu dinheiro e na maneira como você deseja viver sua vida, porque o mundo está mudando e pode ser este o momento de acordar e recuperar sua liberdade.

Este estilo de vida não é para todos, e tudo bem. Não estou tentando vender nada, mas simplesmente mostrando que há uma outra maneira.

Sustentando o Status Quo

Era uma vez um jovem chamado Billy.

Billy era um funcionário corporativo de 28 anos que vivia em Chicago. Uma cidade cara, mas certamente rentável se você for suficientemente engenhoso.

Atualmente, Billy trabalha das 8h às 18h no setor de finanças e recebe 150 mil dólares por ano. Ele não odeia seu trabalho, mas sempre quis começar seu próprio negócio um dia e simplesmente nunca deu o salto necessário. Ele sempre prometeu para si mesmo que esse dia chegaria, mas o tempo passou e, à medida que seu salário aumentava, ele começou a sentir cada vez mais medo de arriscar sua estabilidade.

Eu acho que todo mundo deveria se tornar rico e famoso e fazer tudo o que sonhou para ver que não é essa a resposta.

— Jim Carrey.

Depois de economizar 100.000 dólares, Billy e sua esposa compraram um apartamento de 2 quartos em uma das mais bonitas áreas da cidade. Embora tenham utilizado a maior parte de suas economias nessa aquisição, eles a viram como um “investimento” e sentiram que era a melhor jogada naquele estágio da vida.

No apartamento, eles também tiveram que comprar móveis novos para fazer com que o lugar se parecesse mais com o seu lar. Então, compraram cama, sofás e algumas obras bonitas e caras para arranjar seu espaço único.

Uma vez que tudo isso foi pago, Billy ficou com muito pouco em sua poupança.

Este teria sido um momento perfeito para começar o negócio que ele sempre sonhara, mas agora, com o novo apartamento e o aumento das despesas, ele não vai mais poder correr o risco.

Billy, assim como a maioria das pessoas sobrecarregadas, encontra-se trabalhando para viver. Ele precisa de um emprego extenso e bem remunerado para conseguir sustentar o estilo de vida que ele acredita que é necessário para ser feliz.

Sem questionar essa lógica nenhuma vez, Billy vai continuar vivendo uma vida de desespero silencioso – a menos que ele tome medidas para abandonar esse estilo de vida e comece conscientemente a ser alguém diferente. Ele deve começar a viver com intenção de viver, de forma que seu estilo de vida e suas despesas vão girar em torno da maneira como ele quer experimentar o mundo (trabalho, localização, liberdade, etc.), ao invés de aumentar de forma irreparável as despesas que alcançam seu salário.

Talvez ele nunca saia desse ciclo. Pode ser que, assim como ele está trabalhando para viver agora, ele passe o resto de sua vida sem ter a intenção de viver. Pior ainda, ele nunca vai poder começar o negócio com o qual sempre sonhou por causa das algemas douradas que o prendem a um emprego bem remunerado que paga a hipoteca.

Há uma saída

O futuro já está aqui, ele só não está sendo distribuído igualitariamente.

— William Gibson.

Agora, do outro lado da cidade, Jackie está sentada em uma cafeteria contemplando o próximo passo que vai dar em sua vida. Jackie tem 33 anos. Ela está no mercado de trabalho há quase uma década e foi totalmente sugada.

Alguns anos atrás, ela comprou um apartamento de um quarto quando o cenário era favorável, acreditando, como Billy, que comprar uma casa era um bom investimento. No entanto, ao longo dos anos pagando a hipoteca e depois de perder todas as suas economias no pagamento inicial, ela se tornou mais consciente de que o ideal de possuir uma casa é menos atraente do que ela pensava, devido em parte a sua percepção de que ela, na verdade, não possuía a casa, e sim o banco que havia lhe emprestado o dinheiro para comprá-la.

Jackie é solteira e, como Billy, sempre sonhou em viver uma vida do seu jeito, com a liberdade de seguir seus interesses criativos. Ela se cansou da labuta e queria se libertar. Jackie diz a seus amigos que quer viver com intenção de viver e com honestidade, dedicando-se ao que importa.

Depois de ler alguns livros sobre minimalismo e a Economia GIG, ela ficou totalmente envolvida. Embora não se veja como uma consumidora obsessiva, a idéia de ter liberdade financeira e poder viver uma vida em seus próprios termos a cativou.

Isso é o que eu quero, ela disse para si mesma depois de finalizar o documentário Minimalism que está disponível no Netflix. Eu quero viver uma vida com intenção, onde eu possa trabalhar com coisas que eu me importo e não ser descartada por causa das coisas que eu possuo.

Leia o texto completo em What You Own, Owns You: Minimalism For People Who Love Things.

Edmar Borges

Jornalista latino-americano sem dinheiro no banco nem parentes importantes, ilustrador vindo do interior de Minas Gerais. Acredita que um dia a tecnologia e a espiritualidade vão ter uma linda prole. Você também me encontra em omxxnamashivaya.tumblr.com

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