Revista Mandala

As grandes miniaturas do Circo Teatro Capixaba

Compartilhar

O espetáculo El Grand Circus Internacionale Calder se inspira na arte do escultor estadunidense Alexander Calder para apresentar uma trupe poética e inusitada ao respeitável público.

Alexander Calder, nascido em Lawnton, na Pensilvânia, tornou-se mundialmente conhecido pelos móbiles que construiu entre os anos 1930 e 1950. Suas primeiras esculturas abstratas marcaram o início de uma carreira que inspiraria incontáveis artistas no futuro. Responsável por arquitetar imensas esculturas, foi também o percussor da técnica que atualmente o Circo Teatro Capixaba, do Espírito Santo, utiliza para criar um de seus espetáculos mais famosos: o El Grand Circus Internacionale Calder.

A apresentação, conduzida pelo diretor do grupo, Willian Rodrigues, transforma arame, tecido e brinquedos em um tocante show circense. Os personagens, elaborados e construídos pacientemente pela equipe do grupo artístico, são miniaturas de tipos famosos e inesquecíveis do circo, como o Homem Mais Forte do Mundo e um engolidor de espadas.

“A obra de Alexander Calder me inspirou desde o primeiro momento”, revela Willian. “Pela pureza e poder de invenção com arte circense, na criação de seus personagens e pela inventividade e elaboração dos bonecos… Uma perfeição impossível de ser copiada, uma manipulação limpa e sincera, cheia de possibilidades de criação”.

Filho de um escultor com uma pintura, Calder produzia espetáculos que eram assistidos por artistas e intelectuais de sua época. Ele faleceu em novembro de 1976. (Foto: Divulgação).
Filho de um escultor com uma pintura, Calder produzia espetáculos que eram assistidos por artistas e intelectuais de sua época. Ele faleceu em novembro de 1976. (Foto: Divulgação).

Surgimento

Tudo começou com uma parceria que surgiu no início dos anos 1990, quando Willian conheceu o marionetista Catin Nardi e, após muita pesquisa sobre circo, teatro de rua e de bonecos, levou adiante um projeto que buscava unir dois grupos de artistas, o de Willian e o de Catin. O Projeto Circo de Boneco tinha como objetivo mesclar as experiências dos integrantes do Circo Teatro Capixaba, no Espírito Santo, e da Companhia Navegante – Teatro de Bonecos, em Minas Gerais. E foi nesse intercâmbio de montagem e criação coletiva que uma nova produção estreou nas ruas utilizando a técnica de teatro de bonecos.

“Estudando sobre circo no Brasil e no mundo, com formas animadas, chegamos ao Calder”, Willian conta. “Temos um trabalho de bonecos com ferro, pensei em retomar os arames de ferro com uma equipe de construção e começamos a fazer modelos pequenos, dos tamanhos dos do Calder. Vimos que não temos um problema para a visibilidade do público, fizemos maquetes pequenas e depois grandes, buscamos uma dramaturgia própria e uma liberdade na criação”.

Após duas reuniões decisivas, uma em Patrimônio da Penha (ES) e outra em Mariana (MG), definiu-se a estética da obra e deu-se início ao processo de confecção dos bonecos de arame, do material necessário, definição de continuidade e cenário e também elaboração do roteiros e das brincadeiras de improvisação. Depois, como revela Willian, houve ensaios e repetições exaustivas e a finalização do texto.

A apresentações dispõem de peças artesanais com as quais o público pode se divertir antes do espetáculo começar. (Foto: Ariadne Selen).
A apresentações dispõem de peças artesanais com as quais o público pode se divertir antes do espetáculo começar. (Foto: Ariadne Selen).

A magia por aí afora

A dinâmica e divertida trupe do El Grand Circus Internacionale viaja o país em busca de disseminar a alegria e o encanto. As luzes acesas, o circo armado, sons a espera…. Os brinquedos minuciosamente preparados para o show e a presença de palco de Willian Rodrigues e seu contrarregra , Samuel Rasuck, estão prestes a capturar respeitosamente a atenção do público nas ruas, praças e teatros onde instalaram sua poesia.

Foto: Ariadne Selene.
Foto: Ariadne Selene.

“O espetáculo é um trabalho de criação coletiva, prática que o grupo Circo Teatro Capixaba vem desenvolvendo como metodologia e que aos poucos se transforma no modo de pensar e fazer arte”, diz Willian. A graciosa baleia bailarina, o corajoso domador russo e sua fera indomável, a incrível atiradora de facas, o homem mais forte do mundo e o magnífico faquir das arábias – com a extraordinariamente típica trupe do El Grand Circus Interncionale Calder, crianças e adultos se emocionam e se divertem.

Em sua evocação de gratidão e reconhecimento, Willian declara: “Muitas mãos arteiras e mentes criativas colaboraram nesse processo, inspirando arte e alegria, tornando real a utopia, de viver a maravilha, da arte pela arte”.

Apresentação do El Grand Circus Internacionale Calder em Mariana/, Minas Gerais, durante a 9ª Mostra de Teatro de Bonecos, em maio de 2015 (Foto: Ariadne Selene).
Apresentação do El Grand Circus Internacionale Calder em Mariana, Minas Gerais, durante a 9ª Mostra de Teatro de Bonecos, em maio de 2015 (Foto: Ariadne Selene).

A equipe

Direção: Catin Nardi

Artista, palhaço e manipulador de bonecos: Willian Rodrigues

Artista, sonoplastia e contra regra: Samuel Rasuck

Bonecos de arame: Flavinho do Caparaó

Brinquedos de madeira: Mestre Rolim

Produção e gestão: Ananda Rasuck

Costureira: Lena da Silva e Eni Cardoso

Cenografia: Hari Mason, Ananda Rasuck, Willian Rodrigues

Dramaturgia: Ananda Rasuck e Willian Rodrigues

Edmar Borges

Um latino-americano sem dinheiro no banco nem parentes importantes, graduando em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto e vindo do interior de Minas Gerais. Você também me encontra no Obvious Lounge e no Medium Brasil.

comentário

Cadastre-se

Assine nossa news!



Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.