Revista Mandala

Sobre direitos iguais e casamento homoafetivo: conheça o filme Amor é Amor

O documentário apresenta as histórias de casais homoafetivos e esclarece dúvidas sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo no Brasil.

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Em 2011, pela primeira vez o Supremo Tribunal Federal brasileiro reconheceu que o casamento homossexual é tão legítimo quanto o heterossexual. Em 2013, o Conselho Nacional de Justiça finalmente aprovou uma resolução que obriga todos os cartórios do país a realizarem o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Já se foram quase quatro anos, mas o quanto se avançou na busca por direitos igualitários desde então? E os casais homoafetivos que pretendem se casar: sabem como esse processo acontece no Brasil?

Ainda ficam muitas dúvidas. Afinal, somente nos últimos anos os países começaram a rever sua legislação em prol das manifestações de gênero e sexualidade que são marginalizadas pela heterossexualidade compulsória, vigente na formação social, familiar e institucional do mundo todo. Há uma jornada a ser percorrida e é preciso que causas e iniciativas se unam para que a liberdade e a igualdade sejam alcançadas.

Por isso, um grupo se reuniu em Belo Horizonte, Minas Gerais, e realizou o filme Amor é Amor. O documentário, dirigido por Raul Richard e produzido por Rafael De La Savia, apresenta quatro casais e busca tirar dúvidas e debater sobre o casamento homoafetivo no Brasil.

O filme

Para Rafael, vive-se uma onda conservadora no Brasil e no mundo. Ele conta que o documentário pretende esclarecer para o público LGBT como o casamento é possível, além de mostrar para o público não LGBT que se trata de uma união entre duas pessoas como qualquer outra. “Com as histórias que apresentamos, as pessoas poderão ver que são duas pessoas que se amam e decidiram ficar juntas”, ele conta. “E como é importante para elas ficarem juntas perante a Lei”.

whatsapp-image-2016-09-30-at-12-04-56Raul, diretor do Amor é Amor, passou três anos estudando sobre o tema, desde que a ideia lhe surgiu, em 2013, quando morou em Portugal e percebeu que a legislação por lá era muito mais avançada que por aqui no quesito da igualdade sexual e de gênero. Então, ele decidiu fazer o filme como seu Trabalho de Conclusão do Curso de Cinema e começou a reunir uma equipe para colocar a ideia em prática.

“E até hoje estamos caminhando com o filme”, ele conta. O trabalho, aprovado pela Lei Rounet, de incentivo à cultura, está em fase de conclusão. “Estamos em campanha para captação de recursos para a finalização e acessibilidade, bem como para termos condição de levar o documentário para Festivais nacionais e fora”, Raul explica.

Não basta toletar, é preciso ter respeito

Na época em que corria no STF o julgamento da legalização do casamento homoafetivo, um pronunciamento do Ministro Luiz Fux foi bastante pertinente. “Por que o homossexual não pode constituir uma família?”, ele questionou. “Por força de duas questões que são abominadas pela Constituição: a intolerância e o preconceito.”

Ou seja, a não aceitação do casamento homoafetivo é inconstitucional, ferindo a igualdade e a preservação dos direitos. Aprovar o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo não é um prerrogativa que uma dúzia de ministros embrulham para presente e deixam na sua porta – é uma demanda universal. E não se trata de busca pela tolerância. Essa palavra já foi erradicada há anos da lista de objetivos da comunidade LGBT. Afinal, é muito fácil tolerar as distinções de sexualidade e gênero que compõem a diversidade e a pluralidade dos conjuntos sociais. A pessoa preconceituosa olha de esguia para aquele casal de lésbicas sentadas perto dela no ônibus e não  diz nem faz nada, porque aceita. Mas, por dentro, é incapaz de respeitá-las.

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Isso precisa ser observado. Não basta tolerar, suportar, aceitar. Esse ódio silencioso se acumula e, um dia, perde-se uma bela oportunidade de agir com compaixão. Todos e todas merecem respeito, algo mais pungente, mais bonito e muito mais poderoso que a simples tolerância. Por isso, é preciso que as jornadas nesse campo sejam contadas, compartilhadas e apoiadas.

“É gostoso ver pessoas contando suas histórias e o que enfrentaram em busca da felicidade”, Rafael conta. “Não importa qual sua orientação sexual. Ver pessoas felizes e realizadas é sempre bom”.

Ele, que percebe a influência positiva do documentário em sua construção pessoal, destaca que produzi-lo foi um processo trabalhoso, mas gratificante. “Produção sempre é uma loucura. Até a gravação terminar, dá tudo certo e tudo errado”.

Para Raul, o documentário é uma forma de provocar o sentimento de amor ao próximo nos espectadores e, até, incentivar os casais homoafetivos que querem se casar, mas não entendem muito bem como fazer isso.

É gostoso ver pessoas contando suas histórias e o que enfrentaram em busca da felicidade

A campanha de arrecadação online

O documentário está em fase de conclusão e ainda são necessários ajustes finais, como preparação do material para público inclusivo e também para ser enviados a festivais de cinema. Na Evoé, plataforma de crowdfunding (financiamento coletivo), o projeto busca apoiadores e oferece uma série de recompensas.

A equipe (da esquerda para a direita): Francisco Barbosa, Raul Richard, Gláucio Alessandro, Jacson Dias, Luciana Carvalho e Rafael De La Savia. (Foto: Divulgação)
A equipe (da esquerda para a direita): Francisco Barbosa, Raul Richard, Gláucio Alessandro, Jacson Dias, Luciana Carvalho e Rafael De La Savia. (Foto: Divulgação)
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No site da campanha, também é possível conhecer toda a equipe envolvida na realização do filme e o destino detalhado do orçamento.

Raul descreve o filme como “didático, simples e emocionante”. Resta pouco mais de um mês para a campanha ser encerrada e a expectativa é de que ele consiga alcançar e tocar o público, mostrando que, como afirma Raul, “todos somos iguais, todos querem lar, família, carinho e amor”. E ele completa: “A nossa essência como ser humano é essa, amar e ser amado, afinal, AMOR É AMOR”.

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Edmar Borges

Jornalista latino-americano sem dinheiro no banco nem parentes importantes, ilustrador vindo do interior de Minas Gerais. Acredita que um dia a tecnologia e a espiritualidade vão ter uma linda prole. Você também me encontra em omxxnamashivaya.tumblr.com

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