Revista Mandala

Conheça os Vedas, os textos mais sagrados da Índia e o mais antigo registro literário da humanidade

Além de ter influenciado costumes sociais, éticos e religiosos, a filosofia védica se tornou autoridade espiritual e fonte de sabedoria no mundo inteiro.

Compartilhar

Este artigo é uma tradução. Ele foi escrito originalmente por Subhamoy Das e Manoj Sadasivan no site ThoughtCo. Para ler o texto em inglês, clique aqui.

Além de serem considerados os primeiros registros literários da civilização indo-europeia, os Vedas são também os livros mais sagrados da Índia. Trata-se de uma série de escrituras originais dos ensinamentos hindus, que contém conhecimentos espirituais sobre a vida em todos os seus aspectos. As máximas filosóficas da literatura védica sobreviveram ao tempo, de forma que as obras se tornaram a maior autoridade religiosa do hinduísmo e são, atualmente, uma fonte respeitada de sabedoria para a humanidade no geral.

A palavra Veda significa sabedoria, conhecimento ou visão, e funciona como manifestação do idioma dos deuses na fala humana. As leis dos Vedas determinaram os costumes sociais, legislativos, domésticos e religiosos dos hindus até aqui. Todos os deveres obrigatórios dos hindus no nascimento, no casamento, na morte, etc., são guiados por rituais védicos.

Origem dos Vedas

É difícil dizer quando os Vedas começaram a ser escritos, mas é certo que eles estão entre os primeiros documentos de sabedoria escrita produzidos pelos seres humanos. Como os hindus antigos não tinham costume de registrar historicamente suas realizações religiosas, literárias e políticas, é difícil datar com precisão o surgimento dos Vedas. Apesar de suporem algumas coisas, os historiadores não garantem uma informação precisa. De qualquer forma, supõe-se que os primeiros Vedas tenham surgido por volta do ano 1700 a.C., período final da Idade de Bronze.

Quem escreveu os Vedas?

Segundo uma vertente da tradição, foi Deus quem compôs os Vedas e ensinou seus hinos aos sábios, que os difundiram por gerações de boca em boca. Outra tradição diz que os hinos foram “revelados” aos sábios, que seriam videntes ou os chamados “mantradrasta” dos hinos. A documentação formal dos Vedas foi feita, em sua maior parte, por Vyasa Krishna Dwaipayana na época do Senhor Krishna (1500 a.C.)

Classificação dos Vedas

Os Vedas são classificados em quatro volumes: Rigveda, Samaveda, Iajurveda e Atarvaveda, sendo o primeiro o mais importante. Essas quatro obras são conhecidas como “Chathurveda” e as três primeiras concordam entre si em forma, idioma e conteúdo.

Estrutura dos Vedas

Cada Veda é composto por quatro partes – Samhitas (hinos), Brahmanas (rituais), Aranyakas (teologias) e Upanishads (filosofias). A coleção de mantras ou hinos é chamada de Samhita. Os Brahmanas são textos para rituais e incluem preceitos e deveres religiosos. Cada Veda tem vários Brahmanas anexados a ele.

Os Aryanyakas (textos florestais) pretendem servir como objetos de meditação para os ascetas que vivem nas florestas e lidam com o misticismo e o simbolismo. E os Upanishads formam as partes finais do Veda, chamadas de “Vedanta” ou de o fim do Veda. Os Upanishads contêm a essência dos ensinamentos védicos.

A mãe de todas as escrituras

Embora os Vedas raramente sejam lidos ou compreendidos nos dias de hoje, mesmo pelos devotos, eles certamente formam o fundamento da religião universal ou “Sanatana Dharma” que todos os hindus seguem. Os Upanishads, no entanto, são lidos por estudantes sérios de tradição religiosa e espiritualidade em todas as culturas e são considerados como textos fundamentais dentro do corpo das tradições de sabedoria da humanidade.

Os Vedas guiaram nossa direção religiosa por anos e continuarão a fazer isso ainda por muitas gerações vindouras. Além disso, permanecerão para sempre como a mais abrangente e universal de todas as antigas escrituras hindus.

Confira a seguir o que os quatro Vedas significam individualmente.

Rigveda: o livro do mantra

A Verdade Única os sábios chamam por muitos nomes.

– Rig Veda

O Rigveda é uma coleção de inspiradas canções ou hinos e também a principal fonte de informação sobre a vida da antiga civilização védica. É o livro mais antigo em qualquer idioma indo-europeu e contém a forma mais antiga de todos os mantras sânscritos, que remonta a 1500 a.C. – 1000 a.C. Alguns estudiosos datam o Rigveda de 12000 a.C. – 4.000 aC.

A samhita do Rigveda (ou sua coleção de mantras) consiste em 1.017 hinos ou “suktas”, apresentando cerca de 10.600 estrofes divididas em oito “astakas”, cada uma com oito “adhayayas” ou capítulos, que são subdivididos em vários grupos. Os hinos são o trabalho de muitos autores (ou videntes) chamados de “rishis”.

Existem sete videntes principais identificados: Atri, Kanwa, Vashistha, Vishwamitra, Jamadagni, Gotama e Bharadwaja. O equipamento Veda relata em detalhes o contexto social, religioso, político e econômico da civilização do Rigveda. Mesmo que o monoteísmo caracterize alguns de seus hinos, o politeísmo naturalista e o monismo podem ser discernidos em seus conteúdos.

Os Samaveda, Iajurveda e Atarvaveda foram compilados após a era do Rigveda e a eles se atribui o chamado período védico.

Samaveda: o livro da canção

O Samaveda é basicamente uma coleção litúrgica de melodias (“saman”). Os hinos do Samaveda, usados como notas musicais, eram quase completamente retirados do Rigveda e não tinham lições distintas. Por isso, seu texto é uma versão reduzida do Rigveda. Como o estudioso védico David Frawley diz, se o Rigveda é a palavra, Samaveda é a música ou o significado; se Rigveda é o conhecimento, Samaveda é a sua realização; se Rigveda é a esposa, Samaveda é o marido dela.

Iajurveda: o livro do ritual

O Iajurveda também é uma coleção litúrgica e foi feito para atender às exigências de uma religião cerimonial. Ele serviu como um guia prático para os sacerdotes que executavam atos sacrificiais enquanto murmuravam simultaneamente as preces em prosa e as fórmulas de sacrifício (‘yajus’). É semelhante ao “Livro dos Mortos” do antigo Egito.

Atarvaveda: o livro de feitiços

O último dos Vedas, Atarvaveda é completamente diferente dos seus antecessores e é o segundo livro mais importante depois do Rigveda no que diz respeito ao seus significado histórico e sociológico. Um espírito diferente permeia este Veda. Seus hinos são de caráter mais diverso do que no Rigveda e também são mais simples na linguagem. Na verdade, muitos estudiosos não consideram o Atarvaveda parte dos Vedas. Ele consiste em feitiços e encantos predominantes no conhecimento popular da época em que foi construído e retrata uma imagem mais clara da sociedade védica.

Edmar Borges

Jornalista latino-americano sem dinheiro no banco nem parentes importantes, ilustrador vindo do interior de Minas Gerais. Acredita que um dia a tecnologia e a espiritualidade vão ter uma linda prole. Você também me encontra em omxxnamashivaya.tumblr.com

Comentar

Assine nossa news!

Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.