Revista Mandala
Imagem: reprodução

É possível estar em estado de mindfulness e ainda assim ficar nervoso?

Não, a atenção plena não tem a pretensão de te transformar em um “zumbi zen” que se sente bem o tempo todo.

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psychologyEste artigo é uma publicação da PhD. Peggilee Wupperman no periódico Psychology Today. Para ler o artigo original em inglês, clique aqui.

Se você sofre de algum comportamento desregulado (viciante ou impulsivo), você provavelmente já ouviu que mindfulness pode ajudar a superá-lo.

Na verdade, você já deve ter visto vários artigos sobre como a atenção plena pode ajudá-lo com praticamente todos os problemas que você já teve na vida (comportamento desregulado, ansiedade, problemas de relacionamento, estresse no trabalho, unhas dos pés!). Você pode até já ter sido pressionado a praticar mindfulness por amigos ou colegas.

E você pode estar se sentindo um pouco irritado — ou simplesmente muito irritado.

  • Você pode estar cansado (muito cansado!) de ler sobre mindfulness. Muitas pessoas ficam.
  • Você pode não estar QUERENDO parar de sentir emoções intensas – até mesmo as desconfortáveis, como raiva. Nem deveria.
  • Você pode não acreditar que a atenção plena seja a cura para tudo o que dizem. Você tem razão em ser cético.
  • Você pode pensar que mindfulness é apenas mais uma técnica brega de relaxamento. Parece um pouco brega, não é? Mas nem sempre é uma técnica para relaxar – e não é para ser.

Você não é o único a ter dúvidas. E não é o único a se sentir irritado, ou mesmo com raiva.

Ninguém deve ser forçado a praticar a atenção plena. Mas, antes de prosseguir, eu gostaria muito que você lesse o seguinte:

Nota: Sim, eu percebo que muitas pessoas estão cansadas de ler sobre mindfulness, mas são as mesmas que, imediatamente, pedem que você leia sobre mindfulness. É como dizer “claro que você está doente e cansado de comer purê de batata. Aqui está uma ajuda alternativa: purê de batata”.

No entanto, se você sofre de algum comportamento desregulado, você provavelmente teve momentos em que decidiu que tentaria quase tudo o que pudesse para poder superá-lo. Por isso, peço que você se certifique e conheça melhor os fatos antes de decidir se mindfulness é (ou não é) algo que você estaria disposto a tentar.

O que é mindfulness e o que não é – Parte 1

Aqui está uma grande ajuda para se livrar daquele purê de batata que você não aguenta mais comer.

Mindfulness não é:

  • Pura tranqüilidade
  • Ausência de emoções negativas
  • Um estado alterado
  • Uma experiência fora do corpo
  • Um ritual num círculo cantando Kumbaya
  • Um estado onde você se torna imperturbável por qualquer situação, como algum tipo de zumbi zen

Em vez disso, a atenção plena envolve a capacidade de experimentar suas emoções, sem

Por exemplo, você já se sentiu irritado com uma situação e depois ruminou sobre ela até se ver completamente atado a vários nós internos? Ou, talvez, perdeu até o sono na hora de dormir? Ou acabou focando sua atenção em qualquer outra coisa?

Ou você já se sentiu tão irritado (ou triste ou ansioso) que achou que tinha que se envolver em um comportamento desregulado apenas para obter algum alívio das emoções?

Ou você já disse, no auge da raiva, coisas das quais se arrependeu mais tarde? Ou ficou com raiva de uma postagem em uma rede social e acabou digitando algo de que você se envergonhou depois? (Não que discussões em redes sociais sejam recorrentes hoje em dia. Imagina.) Talvez você acabou machucando alguém que você não queria machucar, ou mesmo prejudicou um relacionamento?

Ao contrário do que diz a crença popular, ter atenção plena não impedirá que você sinta raiva ou qualquer outra emoção que seja. Isso seria assustador. As emoções fazem parte, nos ajudam a seguir. A raiva nos incentiva a nos defender e nos motiva a lutar contra a injustiça.

Em vez disso, mindfulness, quando praticado com um profissional de saúde mental, pode ajudar a tornar a raiva e outras emoções mais toleráveis, mais fáceis de gerenciar, de modo que é menos provável que você se sinta controlado por suas emoções. Em outras palavras,

Nota: para uma melhor explicação dos métodos pelos quais a atenção plena pode ajudá-lo a se sentir menos controlado pelas emoções, confira a série do Psychology Today sobre Mindfulness e Comportamento Desregulado: Parte I, Parte II, Parte III e Parte IV.

Lembre-se:

  • Praticar a atenção plena não significa que você nunca sentirá emoções desconfortáveis. Você pode estar atento e também estar irritado, ou triste, ou ansioso!
  • Praticar a atenção plena pode ajudá-lo a se sentir menos controlado por suas emoções, e reagir de maneiras menos prejudiciais a longo prazo.

Edmar Borges

Jornalista latino-americano sem dinheiro no banco nem parentes importantes, ilustrador vindo do interior de Minas Gerais. Acredita que um dia a tecnologia e a espiritualidade vão ter uma linda prole. Você também me encontra em omxxnamashivaya.tumblr.com

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