Revista Mandala

Holanda é o primeiro país sem cachorros abandonados

E o mais importante: sem precisar sacrificá-los ou mantê-los em canis

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Esse artigo é, originalmente, uma publicação em espanhol do portal La Bio Guia, escrita por Laura Vidal.

Holanda (Países Baixos) é um país que sempre se envolve em iniciativas baseadas no paradigma sustentável e direcionadas para a construção de um mundo consciente, em que os direitos de todos os seres vivos são respeitados. Promover o ciclismo, investir em energia solar e fortalecer suas políticas contra as alterações climáticas são atitudes exemplares.

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Hoje, o país é notícia de novo porque se tornou o primeiro do mundo sem animais abandonados. E o mais importante: sem sacrificar qualquer animal ou mantê-los em canis. O problema de animais abandonados não é levado a sério pelos governos ao redor do mundo. Há poucas exceções, como as multas de até 30.000 euros que a Espanha estabeleceu há alguns meses para quem abandonar um cão.

Portanto, o caso dos Países Baixos não só deve ser comemorado, mas também analisado, para entender como isso foi possível e o que é necessário para fazer o mesmo nos demais países.

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Como conseguiram?

O plano holandês para que todos os cães tenham uma moradia se ergue sobre quatro pontos cruciais:

Consciência:

Sabemos que qualquer regra pode ser transgredida. Dessa forma, as leis são inúteis se não forem acompanhadas por um esforço de conscientização. A Holanda trabalhou para que as pessoas compreendessem o abuso dos animais como um golpe tão grave como cometer um crime envolvendo seres humanos. Na Holanda e na Inglaterra, os animais de estimação têm direitos comparáveis aos dos humanos: houve mesmo casos em que eles receberam os bens de seus proprietários como herança.

Leis e multas

As leis holandesas são muito duras com aqueles que abandonam cães. Multas por abandono podem atingir milhares de euros e o infrator pode ser preso sob pena de até três anos por causar danos ao seu pet. Isso garante que qualquer pessoa que esteja pensando em deixar um cão na rua pense duas vezes.

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Campanhas maciças, castração gratuita e obrigatória

Apesar da conscientização e das multas impedirem as pessoas de abandonarem seus animais de estimação, o problema na Holanda era que as ruas já estavam cheias de cães abandonados. Isso, em grande parte, foi por causa da “moda” que levou os cidadãos a comprarem cães de raça pura em vez de adotar. Portanto, era necessário impedir que os cães que já viviam na rua e não tinham casa continuassem se reproduzindo. O governo assumiu o custo de esterilização e organizou campanhas maciças para castrar cães de rua e de abrigos, e aqueles que já possuíam animais puderam castrá-los gratuitamente. Ao contrário das leis mais duras em outros países, nos Países Baixos não é obrigatória a castração de animais que não sejam de raça.

Altos impostos sobre a compra de animais de raça pura

Uma parte do problema holandês era que as pessoas não adotavam cachorros de rua por serem viralatas,  e, em vez disso, compravam animais de raça “pura” para criar. Ao estabelecer impostos mais altos sobre estas compras, o governo conseguiu desencorajar o comércio de animais e incentivar aqueles que realmente buscavam a companhia de um cachorro a adotarem um filhote desabrigado.

Edmar Borges

Um latino-americano sem dinheiro no banco nem parentes importantes, graduando em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto e vindo do interior de Minas Gerais. Você também me encontra no Obvious Lounge e no Medium Brasil.

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