Revista Mandala
Dzongsar Khyentse Rinpoche (Imagem: reprodução)

Homossexualidade na visão do budismo, por Dzongsar Khyentse Rinpoche

Ao falar do impacto das culturas nas religiões, o lama da linhagem Rinpoche aborda a diferença entre o comportamento e a Verdade.

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As perspectivas religiosas sobre a sexualidade variam de acordo com práticas, lugares e doutrinas. No caso do budismo, cujos preceitos são menos conhecidos no Brasil, a maneira como se lida com a homossexualidade é uma dúvida muito frequente, principalmente para quem está iniciando na prática ou em seus estudos.

Em um vídeo publicado no Canal Buda Virtual, no YouTube, Dzongsar Khyentse Rinpoche menciona que, apesar dos “métodos” budistas serem usualmente alinhados ao comportamento cultural do lugar onde estão sendo praticados, nada interfere nas chamas verdades budistas, como os Quatro Selos do Dharma. Portanto, ele conclui que a sexualidade não tem nada a ver com entender ou não entender o cerne da questão, ou seja, a Verdade.

“Você pode ser gay, pode ser lésbica, pode ser heterossexual… Ninguém sabe quem vai alcançar a iluminação primeiro”, adverte o Rinponche.

Conduta inapropriada ou culturalmente construída?

Ao falar sobre o impacto da cultura no comportamento, o mestre butanês traz à luz o personagem do culturalista, que seria, de acordo com o que ele exemplifica, aquele feitor social responsável por determinadas regras coletivas de um grupo. Por isso, ele pede especialmente aos pais butaneses que olhem para a questão da homossexualidade com clareza, e não a partir da perspectiva limitada de uma determinada prática religiosa ou cultural.

“Algumas pessoas gostam de queijo cottage, outras de queijo suíço”, ele comenta. “E há ainda algumas que gostam dos dois. Por que não?”

Como agir diante do conservadorismo religioso?

Ao final, o Rinponche deixa uma mensagem às pessoas que possuem orientações sexuais distintas da heterossexualidade, pedindo que elas tenham paciência com o budismo, pois a prática é formada por seres humanos, muitos dos quais ainda conservadores, ligados a uma ideia ilusória de que são os donos da verdade.

Claro que o lama está abordando a situação numa realidade oriental, de países como o Butão e o Tibet, onde o exercício do budismo se difere daquele encontrado em países do ocidente que estão mais avançados no debate acerca da igualdade de gênero e de sexualidade. E reforça: “Os tempos estão mudando”.

Assista o vídeo abaixo, que foi encontrado no Canal Buda Virtual:

Edmar Borges

Jornalista latino-americano sem dinheiro no banco nem parentes importantes, ilustrador vindo do interior de Minas Gerais. Acredita que um dia a tecnologia e a espiritualidade vão ter uma linda prole. Você também me encontra em omxxnamashivaya.tumblr.com

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