Revista Mandala

Iridologia: o olho como espelho da alma, do corpo e da mente

A variedade de tons, formas e cores contidas na íris dos olhos ainda é objeto de estudo e instiga terapeutas em todo o mundo.

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A variedade de tons, formas e cores contidas na íris dos olhos ainda é objeto de estudo e instiga terapeutas em todo o mundo. Afinal, nenhum olho é igual ao outro, nem mesmo o de irmãos gêmeos, e por isso suas singularidades chamam tanto a atenção. Estaremos diante de uma fonte de informações sobre nosso organismo tão valiosa quanto as impressões digitais e o DNA?

Talvez as íris sejam ainda mais precisas que o DNA. Pelo menos no que diz respeito à experiência mutável do organismo como parte integrada e em constante transformação de quem somos. Enquanto o DNA não se altera durante toda a vida, a íris sofre influências de meios externos e internos que modificam suas formas e tons de cores, revelando em “tempo real” a situação do seu corpo – e da sua mente.

Quem afirma isso é José Marcos de Oliveira, fitoterapeuta e um dos poucos iridólogos atuantes no Brasil atualmente. Segundo ele, não há nenhuma característica no seu corpo e na sua mente que não esteja minuciosamente registrada na parte colorida dos olhos. “Todos os órgãos estão mapeados na íris. Da sua cabeça à ponta do pé, cada um deles tem seu lugar específico”, revela.

Mas, afinal, do que estamos falando? De uma medicina alternativa, um tratamento revolucionário, uma terapia da moda? Estamos falando de iridologia.

“A iridologia é uma ciência”, diz Oliveira, que há 10 anos tem estudado e realizado atendimentos  em Minas Gerais, Goiás e na Amazônia. “Por meio de um trabalho holístico, a iridologia considera o organismo, ou seja, todos os seus órgãos estão interligados e são dependentes uns dos outros. E é através da íris que se detectam situações de anormalidades no funcionamento do seu corpo e também as características clínicas e comportamentais”.

A iridologia, como muitos a conhecem atualmente, teve origem na Hungria, com Ignatz von Péczely (1826-1911). Ainda criança, ele fraturou acidentalmente a pata de sua coruja de estimação e percebeu que, no mesmo instante, uma sutil mancha surgiu na íris do animal. Ao tratar da ferida, observou que a mancha se alterava de forma e tom de acordo com que a coruja se recuperava. Depois, como médico, continuou estudando os fenômenos óticos e sua relação com a saúde dos seres vivos. Por fim, em 1881, publicou um estudo inédito chamado Discoveries in the field of natural science and Medicine: Instruction in the Study of Diagnoses from the Eye (em tradução livre, “Descoberta no campo da ciência e Medicina naturais: Instruções no estudo de diagnósticos do olho”).

O processo holístico: todos os órgãos em um só

Após Péczely, muitos estudiosos deram sequência aos seus estudos e às descobertas iridológicas. Atualmente, as pesquisas avançam mas ainda em poucos países. E o Brasil é um dos que exercem essa terapia holística, ou seja, essa forma de tratar o organismo como um só. Adeptos da iridologia relatam que têm desacreditado da medicina convencional pelo custo e por estarem quase sempre diante de uma possibilidade cirúrgica, processo que a holopatia considera invasivo.

“A diferença é que a medicina alopática (convencional) trabalha com o antibiótico, combatendo o micróbio, e a iridologia levanta as situações onde esse micróbio está sendo gerado para poder combater o seu meio”, conta Oliveira . “Não matamos o micróbio, eliminamos as condições favoráveis ao seu desenvolvimento. Ou seja, prevenimos em vez de curar”.

Ainda de acordo com o iridólogo , que desenvolve pesquisas fitoterápicas em um laboratório no interior de Minas Gerais, é justamente por meio da análise clínica da íris que as enfermidades passadas, atuais e futuras podem ser descobertas. “A íris revela as predisposições também, aquelas irregularidades que podem gerar enfermidades no futuro pela falta ou excesso de trabalho de um determinado órgão”.

Semelhante a  outros tratamentos naturais, a ciência da iridologia se destaca na observação de uma informação importante sobre o nosso corpo: tudo o que temos, de células a órgãos, de tecidos a sistemas, é tudo o que somos. E revela um segredo até então pouco explorado: temos nos olhos a indicação do que nos afeta, portanto temos em nós todas as respostas para todas as perguntas que produzimos.

“Todos os órgãos procuram harmonia”, diz Oliveira. “Quando um deles está em choque, ou seja, quando está com hipo ou hiper função, todos os demais órgãos vão tentar auxiliá-lo. Nossas células lutam até as últimas consequências para nos manter vivos, elas não desistem de nós até que percam toda a sua força e morram”.

O iridólogo sugere, ainda, uma cura simples para o câncer. De acordo com ele, os tumores que originam o câncer não sobrevivem em ambiente oxigenado. “Temos que dar oxigênio a esses tumores, e a água é o alimento que tem oxigênio em sua composição”, ele conta. “Portanto, está aí algo que você provavelmente não vai acreditar porque não é interessante para a medicina alopática e ninguém fala sobre essa possibilidade ou desenvolve esse campo… E se eu disser que a cura do câncer está na água?”.

O mundo está ansioso

A iridologia busca analisar, em primeiro lugar, o nível de ansiedade da pessoa atendida. No que são chamados “anéis de ansiedade”, registrados em torno da íris, o iridólogo é capaz de identificar a situação mental e os riscos para a saúde do cliente.

“70% de todas as nossas enfermidades advêm da ansiedade hoje porque o mundo está ansioso”, diz o fitoterapeuta. “E a ansiedade desencadeia uma série de procedimentos prejudiciais no seu organismo, pois ela ataca diretamente a sua mente, a comandante do seu corpo, aquela que nós chamamos de ‘primeiro cérebro’”.

Segundo  Oliveira, o “segundo cérebro”, na iridologia, seria o estômago, onde é processado diariamente o alimento que dá vida e sustenta o organismo. “A vida começa pela comida”, ele destaca. “Por isso desenvolvemos tratamentos naturais, sem ingestão de frituras e cozidos, e utilizamos argila e confrei, por exemplo, nas fraturas”. Para o iridólogo , os atuais hábitos alimentares e medicamentosos das pessoas podem levá-las a um colapso irreversível, principalmente pelo consumo constante de produtos químicos e pelo desprezo a estilos de vida mais desacelerados e naturistas. Mas será possível morrer de ansiedade?

Oliveira acredita que não. No entanto, ele alerta sobre um perigoso processo: “O excesso de ansiedade leva ao estresse. O excesso de estresse leva à depressão. A depressão profunda leva a consequências de todos os níveis”. Além disso, ele afirma que a ansiedade atinge o sistema circulatório, aumenta a pressão e pode colocar em risco órgãos vitais como o coração.

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O infinito cabe dentro do olho

Como toda ciência, a iridologia está em constante processo de adequação, desenvolvimento e aprimoramento. Recentemente, outro campo de estudo foi trazido à luz: a esclerologia, que estuda a esclera, ou seja, a região branca dos olhos. E a caminhada segue – pouco a pouco, e não só a iridologia, mas muitos outros campos de estudo alternativos ganham adeptos e incentivos pelo mundo.

Obviamente, essas condições não são favoráveis às grandes empresas, especialmente às indústrias farmacêuticas. Imagine que não se use mais remédios, adotando-se um estilo de vida baseado em prevenção ao invés da medicação. Essa é a “proposta ideológica” da iridologia.

Todos nós estamos sujeitos a afetar nossas íris com acidentes e hábitos prejudiciais à saúde. Para  Oliveira, é impossível encontrar uma íris perfeita na humanidade, justamente porque nosso organismo está em constante processo de influência e transformação da mente, do corpo e do meio externo. “Talvez a íris de uma águia seja perfeita, uma que nunca viu seres humanos, que nunca esteve em cativeiro, que só precisa se recuperar de pequenos acidentes de percurso na selva”, conta o iridólogo.

Nossos acidentes de percurso, porém, são mais graves. E acabamos recorrendo à medicina convencional e aos meios tradicionais de recuperação por estarem mais consolidados histórica e socialmente. “O Brasil não tem quinze iridólogos”, conta José Marcos, que revela ter algumas parecerias com alguns médicos no sentido de aprimorar a recuperação dos pacientes deles. “Tem bastante gente que estuda a iridologia e até desenvolve tratamentos nesse sentido, mas nada tão completo quanto o trabalho de um iridólogo propriamente dito”.

Em 2003, a Masterview lançou o Iridophoto, um quite produzido com mecânica de alta precisão e lentes de cristal que pode ser acoplado à câmera fotográfica digital como meio de auxílio à obtenção da irisdiagnose. Essas e outras iniciativas ajudam na expansão dos estudos e da aplicação da iridologia. Mas como ressalta o terapeuta,  “o iridólogo não é um médico, não dá receita e não faz diagnóstico”. Trabalhando juntos, no entanto, os meios convencionais e alternativos podem oferecer ao ser humano o bem-estar que ele busca incansavelmente em muitos campos da saúde. E se ele dá atenção ao que está descaradamente próximo de si, consegue desenvolver técnicas jamais antes aplicadas para a manutenção de sua sobrevivência.

Denny Johnson escreveu que há “um farol de luz que flui e afeta profundamente a cada uma das células do corpo, inundando com o chuveiro de vitalidade invisível”. Ele foi o criador do método iridológico Rayid, segundo o qual essa luz invisível que existe dentro e ao redor de cada um atravessa todos os níveis da mente e do corpo. E ele questiona: “Quantas vezes você já se viu forçado a virar sua cabeça só para encontrar alguém olhando em sua direção? A causa desta reação é a percepção subconsciente da luz concentrada na sua direção”.

Não só reflexo da alma, mas também do corpo, o poder dos olhos ainda está além do que podemos descrever. Mas um dia o DNA e as impressões digitais também estiveram. O que estamos prestes a descobrir dessa vez?

Edmar Borges

Jornalista latino-americano sem dinheiro no banco nem parentes importantes, ilustrador vindo do interior de Minas Gerais. Acredita que um dia a tecnologia e a espiritualidade vão ter uma linda prole. Você também me encontra em omxxnamashivaya.tumblr.com

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