Revista Mandala

Jovens desenvolvem sistema especial de cultivo de plantas que pode ser acompanhado pelo celular

Além de proporcionar a reconexão com o plantio, o objetivo da startup é auxiliar no manejo de hortaliças, verduras e temperos.

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Mesmo para quem mora em um pequeno apartamento no centro de uma grande cidade, manter um vasinho de plantas na sala ou no quarto não é uma tarefa difícil, certo? Depende. Na verdade, apesar do interesse pelo cultivo, muitas pessoas não dão conta de oferecer o suporte mínimo necessário para uma plantinha crescer forte e saudável.

Isso porque as demandas do cotidiano acabam “atropelando” as necessidades simples, porém meticulosas, de um pé de manjericão, por exemplo, ou até mesmo de uma flor ornamental. Além de se deparar constantemente com suas plantas fracas ou mortas, quem tenta manter o vínculo com o cultivo na rotina da cidade grande experimenta a frustração de ter plantado uma certa variedade de temperos em casa e ainda precisar ir ao mercado para obtê-los.

Sempre encontramos um lugarzinho para uma planta em casa ou no escritório, mas já pensou em poder plantar várias espécies e até temperos em qualquer lugar? (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)

Pensando justamente nisso, um grupo de amigos das áreas de engenharia e de computação desenvolveu um sistema em que você pode obter ajuda da tecnologia para cuidar das suas plantinhas. A Favo, startup que uniu o cultivo de uma horta vertical ao manuseio por meio de um aplicativo no celular, surgiu quando Marcelo Pinhel, estudante de Tecnologia em Mecatrônica Industrial, começou a reunir amigos que, como ele, buscavam se reconectar com a terra e possibilitar que mais pessoas também pudessem fazer isso.

“(A ideia) se iniciou com a aspiração de redescobrir as nossas origens no cultivo de alimentos”, conta Marcelo. Segundo ele, a startup foi criada por pessoas que sempre haviam tido uma relação muito íntima com a agricultura e se viram impedidas de manter a prática de cultivo depois que se mudaram para a cidade. “Então, a gente teve que estabelecer novas técnicas para nos tornarmos cultivadores”, conta.

Marcelo Pinhel teve a ideia inicial da Favo quando se questionou sobre a enorme frustração vivenciada por tantas pessoas que tentam manter seu vínculo com o cultivo de plantas na grandes cidades e, por causa da rotina e dos hábitos urbanos, não conseguem obter sucesso (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)
O sistema desenvolvido pela Favo funciona a partir de um pequeno motor que conduz a rega das plantas, feita com a água armazenada em um recipiente à parte. Além disso, precisa estar conectado à tomada 24 horas por dias, mas Marcelo informa que não há gasto de energia elétrica significativo (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)

Ao identificar esse problema e reunir uma equipe de amigos das áreas da tecnologia e da publicidade, a Favo avançou com base no principal objetivo de seus desenvolvedores: possibilitar o cultivo mesmo em lugares sem quintal ou varanda, impedindo que as pessoas acabem frustradas em suas tentativas de plantio ao mesmo tempo que empoderando-as sobre os processos de consumo dos alimentos.

Quando você coloca a mão na terra, a gente costuma dizer que você abre a sua percepção.

A partir do resultado de cerca de 600 entrevistas sobre os hábitos de cultivo de pessoas de variados setores da sociedade, eles criaram um sistema especial para que a ideia pudesse ser praticada de maneira funcional e produtiva. Ligado a uma horta vertical que eles mesmos esquematizaram, a horta Apis, um aplicativo que pode ser acessado do celular ou do tablet monitora os dados que influenciam no desenvolvimento das plantas semeadas.

A horta Apis é monitorada pelo aplicativo Favo, que auxilia o cultivador em sua manutenção e estará disponível para download em breve (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)
Além de possuir um sistema próprio de irrigação, a hora vertical possibilita a intercomunicação entre os vasos e o reaproveitamento do nutrientes contidos na água dispensada depois da rega (Foto: Revista Mandala/Edmar Borges)

Os dados coletados e gerados pelo sistema de cultivo variam de acordo com a região, o clima e o tipo de planta. Além disso, levam em conta a temperatura do ambiente, a incidência de luz solar, umidade da terra e a frequência de rega ideal para o que foi semeado naquele sistema. Por meio do cruzamento desses dados, o aplicativo fornece informações de manutenção ao cultivador.

A Favo consultou mais de 600 pessoas de várias áreas escolhidas aleatoriamente no processo de reconhecimento do interesse do público. Ao todo, foram cerca de 200 consultas presenciais, feitas nas ruas, e cerca de 400 online, a partir de formulários aplicados em âmbito nacional e internacional. De acordo com os dados coletados, 90% das pessoas entrevistadas possuíam forte desejo de plantar, sendo que 60% já cultivava algo, mas enfrentavam problemáticas com relação às necessidades particulares de cada planta e o manuseio constante.

Equipe da Favo (da esq. para a dir.): Raissa Rodrigues (diretora financeira), Marcelo Pinhel (diretor executivo), Cassiano Sugiyama (diretor comercial), Marfan Fragoso (diretor de informação) e Oliver Batista (diretor de produção e tecnologia). Além destes, Fernanda Ogasawara (diretora de marketing) também compõe a equipe (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)

Uma primeira versão para uso da horta Apis foi instalada no interior de São Paulo, na casa de Raimundo Rodrigues, 53, que conta ter se interessado pelo produto em decorrência da economia de tempo e de espaço que o sistema possibilita. Ele já colhe o alimento plantado e consegue acompanhar o ciclo de cultivo do começo ao fim. “Contar com a tecnologia para isso é enxergar um futuro para a humanidade”, relata o usuário.

“A partir do momento em que as pessoas têm de novo contato com os alimentos, que elas entendem o ciclo natural da vida, o ciclo de cultivo, elas entendem que elas têm que respeitar esse ciclo”, afirma Marcelo. “Quando você coloca a mão na terra, a gente costuma dizer que você abre a sua percepção”.

Atualmente, a horta Apis e o aplicativo Favo estão na reta final de acabamento e vão começar a ser distribuídos em breve, então serão utilizados e avaliados pelos usuários inscritos na lista de espera. Para se inscrever, acesse o site da Favo Tecnologia.

Edmar Borges

Jornalista latino-americano sem dinheiro no banco nem parentes importantes, ilustrador vindo do interior de Minas Gerais. Acredita que um dia a tecnologia e a espiritualidade vão ter uma linda prole. Você também me encontra em omxxnamashivaya.tumblr.com

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