Revista Mandala

Mandala, Yantra, Mantra e Tantra. O que significam?

Apesar de banalizados com o tempo, esses elementos possuem poderosos significados para a arte, para a fé e para a meditação.

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Por Tiffani Gyatso

Hoje vejo que ha uma generalização do significado de mandala. Assim como usamos a palavra amor para qualquer sentimento gostoso, já não sabemos na verdade muito bem o que é e quando surge de verdade.

Muitas tradições, desde a China, Tibete (budismo), Índia (hindus), Inglaterra (celtas), Peru (Incas) e muitas outras, usaram a ideia do círculo para representar um universo – o universo do cosmo ou um universo especifico da própria psique ou a abordagem de uma verdade.

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Mandala de Ashtalakshmi com Ganesha (Foto: reprodução)

Vamos abordar o significado hoje, dentro do hinduísmo, do mandala (em sânscrito traduz-se como ‘círculo’). Ele foi criado para representar energias especificas no universo, personificadas como deuses e deusas, que também podem ser revelados para nós internamente (micro) ou externamente (macro). Usado como um “mapa” com o propósito de alcançar total liberação do ciclo de sofrimento (Nirvana) causado pelo nossos apegos (da própria identidade), desejos e, especialmente, pela ignorância (visão obscurecida).

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Mandala auspicioso feito no solo com areia e flores (Foto: reprodução)

A essência da filosofia hindu é que a existência é governada pela suprema e onipresente consciência, um reservatório infinito de energia onde tudo surge e para onde tudo retorna.

O ponto central do circulo em um mandala, chamado de bindu, representa a união e a fonte de toda criação em sua diversidade física. O objetivo do caminho para Nirvana, seria a renúncia da identificação com nossa identidade física, relativa e transitória nesse mundo, para então alcançarmos a experiência da Suprema e Onipresente Consciência.

Ao redor do bindu, muitas vezes, há dois triângulos ou mais, representando o aspecto masculino e feminino que movimenta o universo: estes seriam Shiva e Shakti. Mesmo parecendo opostos, eles são o inverso um do outro. Sua manifestação é o principio de toda a criação e a realidade dual em como a percebemos. Nossa mente percebe a realidade porque existe eu e existe o outro; percebemos que existe dia, pois existe a noite; reconhecemos o prazer, pois conhecemos a dor; procuramos pela paz, pois conhecemos a guerra; e assim por diante. Essa é a nossa realidade. Esses contrastes opostos e comparações são a maneira universal da existência ser percebida e, paradoxalmente, é como o universo se mantém em equilíbrio.

Essa é a base do principio de um mandala: cada um pode criar o seu – seu próprio universo interno. Existem infinitos!

Yantra, Mantra e Tantra

Rahu Yantra process workshop com Tiffani Gyatso
Rahu Yantra em workshop (Foto: arquivo pessoal de Tiffani Gyatso)

Um Yantra é um mandala, porém definido pelos visionários iluminados e registrados nas antigas escrituras védicas. O Yantra remete à uma inteligência especifica manifestada em nosso universo e que podemos vivenciar em sua pura essência – como a compaixão, também relacionado com a personificação em forma de deidade; Avalokteshvara, por exemplo, que também acompanha um som, o mantra especifico dessa qualidade.

Para relacionar o mantra (som) com o Yantra (forma), gosto de lembrar da parte da bíblia que diz “no inicio foi o verbo” e também nos Vedas, onde se explica que no inicio foi o som de ‘om’. Sabemos que o som vibra em frequências que se alteram; há sons que nós não ouvimos, mas morcegos ouvem, ou golfinhos. Só porque não o ouvimos, não quer dizer que eles não existem e que não exercem influência em nós. É a frequência de muitos sons que não percebemos que faz com que as partículas da matéria se comportem de uma maneira que fiquem condensadas – que nosso corpo se mantenha nessa forma que o vemos. Se essa freqüência fosse radicalmente alterada, nós fragmentaríamos. Os tibetanos contam que yoguis treinados levitavam rochas apenas com a manipulação do som. Muitos experimentos foram feitos em relação à freqüência e muito pode ser dito em relação à isso – deixarei sugerido que façam sua pesquisa para não exceder o limite desse texto.

O som cria a forma.

Não há uma tradução literal para cada mantra. Quando se pronuncia repetidas vezes, o seu efeito vibracional tem o objetivo de penetrar na nossa estrutura cármica através das camadas do inconsciente. Por isso, sua eficácia vem a partir da repetição prolongada e diária de quem o pratica. Em poucas palavras, o som cria a forma. Essas formas criam o Yantra, que, ao ser visualizado, nos provoca com outros sentidos a inteligência que estamos evocando – pela forma e pelo som. O caminho dessa pratica e o estudo de tudo que a acompanha chama-se Tantra (também uma palavra tão generalizada, inclusive na Índia).

Para debater melhor a complexidade de cada Yantra: ele é muito usado pelos astrólogos Vedas, pois cada Yantra representa a força influenciadora de cada planeta e também de cada número. Para sua real compreensão, exige-se os estudos não apenas do vasto panteão de divindades do hinduísmo, como também de mantras, numerologia e astrologia védica.

Yantra de Jupiter - processo no workshop com Tiffani Gyatso

Processo de criação do Yantra de Júpiter em workshop (Foto: arquivo pessoal de Tiffani Gyatso)

Na coluna do mês que vem, vou falar sobre o Yantra mais conhecido, o Sri Yantra, e como praticar com sua imagem. E também o significado de mandala no budismo tibetano. Esse mês, ministrei o primeiro curso do ano para iniciantes no desenho geométrico de quatro Yantras. Meu foco nesses estudos é criá-los e usá-los como ferramenta de meditação; seu aspecto na astrologia, no entanto, ainda me requer o início de um novo e vasto estudo. Se você se interessa pelo seu desenvolvimento, não deixe de acompanhar a programação dos cursos no meu site!

 

Tiffani Gyatso

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