Revista Mandala

Meditar não é sobre obstinação, é sobre sensação

Os únicos benefícios que as pessoas relatam sobre meditar são aqueles alcançados quando não se espera benefício algum.

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mediumEste texto é uma tradução de Meditation & Sensation, escrito originalmente por Charlie Ambler em Personal Growth, na plataforma Medium.

Muitas pessoas enxergam a espiritualidade da forma como ela é retratada na cultura popular e acreditam que é algo extraordinário. Sim, com certeza é extraordinário, mas não nesse sentido óbvio do sensacional, algo que o público ocidental espera. A meditação não é uma experiência psicodélica louca nem uma jornada rumo a algum tipo de iluminação psíquica. É simplesmente a arte de sentar-se sem motivo algum.

Ao confrontar a falta de motivos, algo tem que surgir. Essa é a natureza da mente. Quando você começa a meditar, a quietude é interrompida muitas vezes pelo caos e pelo ruído. Imagens, idéias, sons, pendências – tudo isso flutua dentro e fora da infinitude do silêncio como nuvens no céu. Ao longo do tempo, você vai se preocupando menos com eles. As nuvens permanecem, mas você não tenta mais, futilmente, agarrá-las ou interferir no seu fluxo. As idéias importantes ficam por perto, para mais tarde. Elas teriam permanecido cobertas pela lama de desatenção sem a prática meditativa.

Essas idéias e iluminações são bônus espontâneos da meditação. Elas não são o ponto principal. O ponto principal é que não há nenhum ponto principal. Os únicos benefícios que as pessoas relatam em relação à meditação são aqueles alcançados, paradoxalmente, por meio do não-apego aos resultados. Quando a mente ocidental, viciada em alcançar objetivos, se abre para deixar de existir, coisas notáveis começam a acontecer o tempo todo. A questão é que esses resultados não ocorrerão se alguém esperar por eles.

Não espere que a meditação seja algo sensacional ou notável. Não espere que seja muito qualquer coisa. Em vez disso, experimente-a. Veja o que acontece. Não se preocupe muito com isso ou com resultados. Quando eu medito todos os dias, meditar se torna cada vez mais fácil. Eu também me encontro experimentando momentos profundos de lucidez e beleza na vida cotidiana. Eu me conecto mais com a natureza e sou capaz de amar a mim mesmo e aos outros de forma mais completa e honesta. Eu forço menos a barra na minha vida. Eu me deixei existir dentro do fluxo em vez de lutar constantemente contra a corrente inevitável do tempo. Tudo isso não vem de planejamento ou expectativa, mas simplesmente de deixar estar. Nem sempre é fácil, mas sem dúvida vale a pena.

A arte de destaque é de Chiara Fersini.

Edmar Borges

Jornalista latino-americano sem dinheiro no banco nem parentes importantes, ilustrador vindo do interior de Minas Gerais. Acredita que um dia a tecnologia e a espiritualidade vão ter uma linda prole. Você também me encontra em omxxnamashivaya.tumblr.com

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