Revista Mandala

Mindfulness no Parque reúne pessoas de diferentes idades em Curitiba

A segunda edição do evento proporcionou uma experiência de equilíbrio e atenção plena a mais de 80 pessoas.

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Antes de tudo, temos um pedido a fazer. É muito importante para nós, mas ainda mais para você. E pode parecer muito complexo, mas é assustadoramente simples – ou o contrário. Sente-se de modo confortável, com a coluna ereta. Ao término deste parágrafo, sugerimos que feche seus olhos. Então, gostaríamos que você respirasse. Mas, mais do que isso, nosso pedido é que você preste atenção na sua respiração.

Se você seguiu nosso conselho, provavelmente já respirou atentamente. Como foi? Essa foi a mesma experiência que mais de 80 pessoas tiveram na segunda edição do Mindfulness no Parque, neste domingo (19), em Curitiba. Na primeira edição, há dois meses, foram 40 participantes.

IMG_6108Rodeadas pelo ar fresco, a atmosfera de uma manhã ensolarada de final de semana e pelo gigantesco lago do Parque Barigui, muitos participantes desta segunda edição foram apresentados pela primeira vez à prática de atenção plena, outros a experimentaram novamente.

De acordo com o Dr. Luiz Fernando Nicolodi, médico de família e instrutor de mindfulness pelo Mente Aberta Brasil, é muito importante que a prática surja para além da teoria, pois a experiência vivenciada é insubstituível. Ele conduziu as atividade da manhã e, como instruiu aos participantes, ouvir falar sobre uma atividade é diferente de executá-la, de testá-la em seu corpo, em sua mente.

O instrutor Dr. Luiz Nicolodi e a jornalista da Revista Mandala Maiana Antunes introduzem os participantes sobre a prática de mindfulness (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)
O instrutor Dr. Luiz Nicolodi e a diretora da Revista Mandala Maiana Antunes introduzem os participantes sobre a prática de mindfulness (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)

Por isso, pedimos que você se atentasse à sua respiração para entender do que estamos falando. Como foi para você? Talvez tenha escutado o som do ar passando pelas suas narinas, o tenha sentido correr dentro do corpo, tenha se atentado para os sons ao seu redor, notado a sensação de pesar na gravidade. Talvez, isso tudo não tenha nada a ver com a experiência que você acabou de ter. Tudo bem.

IMG_6251“Não julgue”, foi um dos conselhos mais recorrentes de Nicolodi durante a aplicação da técnica, que aconteceu atrás do Salão de Atos do parque, em um coreto onde todos dispuseram suas toalhas, tapetes e almofadas. Além disso, o instrutor chamou a atenção para o desconforto nas posições com a coluna ereta. “Observe também o desconforto, tente ver de onde ele vem”, sugeriu.

Um refúgio para a mente

Ir ao parque costuma ser uma forma de escapar do automatismo da rotina na cidade, das obrigações latentes, da caixa de e-mails e dos telefonemas. Para isso, nos deslocamos fisicamente até esse espaço onde podemos ter um contato breve, porém transformador, com ar fresco, árvores e silêncio. Imagine ter uma experiência de total atenção neste lugar: você será capaz de notar cada variação de temperatura, perceber a forma como seu corpo tende a se mover (ou a permanecer quieto), sentir sua respiração, sua presença, observar a forma como a vida flui ao seu redor e dentro de você.

IMG_6133IMG_6217IMG_6138Assim foi a experiência de muitos participantes da manhã deste domingo. Nicolodi os conduziu por atividades de auto-observação, sempre aconselhando que o passado fosse deixado no passado, que qualquer técnica utilizada anteriormente fosse desvinculada da técnica de mindfulness que estava sendo realizada. De acordo com o instrutor, a “mente do iniciante” está mais apta para adquirir o aprendizado, pois não se deixa levar por conhecimentos prévios que podem impedir que haja uma experiência de pura curiosidade.

Um momento marcante da manhã foi a caminhada em estado de mindfulness. Em fila indiana, os presentes seguiram pelo gramado, sempre movendo os pés em sincronia. Para isso, era imprescindível a atenção total na condução da fila, no movimento da pessoa seguinte, que, por sua vez, dependia da pessoa na frente dela. Ao final, Nicolodi sugeriu que todos se separassem, seguindo cada um por si, e foi aumentando a velocidade dos passos ao sugerir situações de ansiedade e estresse do dia a dia.

IMG_6166IMG_6177IMG_6202“Foi difícil correr neste momento”, relatou uma das participantes em uma roda de conversa ao final da atividade. “Eu estava andando com calma e meu corpo não queria correr quando eu precisava correr. Eu pensava ‘não preciso correr’, estava bom daquele jeito, com calma”, ela disse.

Vários relatos se seguiram. Pessoas que se sentiam totalmente presentes descreveram a forma como ficavam em equilíbrio durante aqueles exercícios de atenção ao corpo e ao ambiente. “A gente nunca vive no agora, sempre está pensando em outra coisa que precisa fazer”, observou outro participante.IMG_6246

Você concorda? Seja qual for sua resposta, nosso pedido permanece. Gostaríamos que você se sentasse diariamente para realizá-lo. Observe o seu redor, o seu interior, apenas olhe sem dar sentido tão imediatamente, sem querer tão rápido significar a experiência, descrevê-la, nomeá-la ou julgá-la. Apenas respire com atenção. Esteja aqui, agora, e não haverá nenhum outro lugar ou tempo onde vai querer passar sua vida.

No site Mindfulness no Parque você acompanha notícias sobre as atividades e pode se inscrever para receber no seu e-mail avisos sobre as próximas edições. Abaixo, confira mais imagens deste domingo:
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Todas as fotos: Edmar Borges/Revista Mandala

Edmar Borges

Um latino-americano sem dinheiro no banco nem parentes importantes, graduando em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto e vindo do interior de Minas Gerais. Você também me encontra no Obvious Lounge e no Medium Brasil.

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