Revista Mandala
Foto: arquivo pessoal de Ricardo Vilarinho

Não há limites quando a Pessoa com Deficiência se torna protagonista de sua história

Uma carta sobre o protagonismo das Pessoas com Deficiência e a trajetória de um dos principais nomes da luta por inclusão no Paraná.

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Por Ricardo Vilarinho da Costa – Conferencista, empreendedor e ganhador do Prêmio Pablo Neruda de Direitos Humanos

Atualmente vivemos um período crítico no protagonismo da Pessoa com Deficiência, após anos de evolução social.

Nós, as Pessoas com Deficiência, estamos assistindo o desmonte da política pública brasileira voltando ao momento de sermos segregados mais uma vez. O Benefício de Prestação Continuada (BPC) está sendo revogado e corremos o risco de perdê-lo. Após nossa causa conseguir que quando a Pessoa com Deficiência comece a trabalhar e o BPC torne-se auxílio inclusão, como determina a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), o que vemos nesse momento é um retrocesso.

A Pessoa com Deficiência é convidada a lutar mais uma vez e protagonizar mais essa batalha por seus direitos. É inconcebível esse atual momento. Foram décadas de atuação e desenvolvimento de políticas públicas e legislações, pra que agora tudo isso seja destruído.

Eu comecei a lutar por nossos direitos através de uma organização da sociedade civil, a Universidade Livre para Eficiência Humana (Unilehu). Logo após meu acidente eu tinha que reaprender a viver nessa cadeira de rodas, eu precisava de um norte pra seguir em frente, precisava de orientação, informação e tudo o que é necessário pra viver após a lesão medular.

Foi nessa época que comecei a conhecer meus direitos e olhar pro futuro com múltiplas perspectivas. A Unilehu praticamente me ensinou a ser uma Pessoa com Deficiência, me estimulou e abriu todas as portas. Essa evolução meteórica em minha carreira profissional teve seu ápice no recebimento do Prêmio Pablo Neruda de Direitos Humanos.

Recebi esse prêmio porque um verdadeiro exército de guerreiros lutou lado a lado comigo.

Foto: arquivo pessoal de Ricardo Vilarinho

Eu não ganhei esse prêmio sozinho. As primeiras pessoas que me abriram as portas foram a Andrea Koppe e a Yvy Abade, a presidente e a diretora geral da Unilehu. Foram elas que me indicavam os eventos e capacitações pra eu estar presente e representar a organização. Esse foi o início da nossa batalha por dias mais acessíveis e inclusivos.

Sou eternamente grato a todos que me ajudaram de certa forma a chegar até aqui, ser homenageado pela Câmara de Vereadores de Curitiba. Foi um dia que marcou minha história pessoal e profissional. Eu não fiz isso sozinho! Recebi esse prêmio porque um verdadeiro exército de guerreiros lutou lado a lado comigo.

O que o protagonismo da Pessoa com Deficiência empoderada faz? Não há limites! Você pode ser tudo o que quiser, pra isso basta ser resiliente, persistente e ter muita fé, simplesmente trabalhar incansavelmente, porque somos apenas um dentre os milhões que já lutaram pra que chegássemos nesse ponto.

Sou eternamente grato a todos vocês.

Edmar Borges

Jornalista latino-americano sem dinheiro no banco nem parentes importantes, ilustrador vindo do interior de Minas Gerais. Acredita que um dia a tecnologia e a espiritualidade vão ter uma linda prole. Você também me encontra em omxxnamashivaya.tumblr.com

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