Revista Mandala
(Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)

Não somos só um conglomerado de moléculas, somos vida: Amit Goswami e o ativismo quântico

O indiano candidato a Prêmio Nobel da Paz e Ph. D. em Física Quântica mostrou que amor é ciência nesta tarde de sábado no I Congresso Internacional de Felicidade.

Compartilhar

Amor é ciência, e ciência também é amor. Você poderia imaginar que sua felicidade tem tudo a ver com a Física?

Com um visão integrativa e que busca desenganar a respeito do materialismo propagado nas universidades, na mídia e em muitas esferas sociais, o indiano Amit Goswami é reconhecido mundialmente por sua ação persistente e sábia no “ativismo quântico”. Ele esteve no I Congresso Internacional de Felicidade na tarde deste sábado (19) e falou sobre a relação entre a sensação de prazer e os domínios da matéria.

Amit Goswami chega ao palco do I Congresso Internacional de Felicidade (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)
Amit Goswami chega ao palco do I Congresso Internacional de Felicidade (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)

Amit, que é Ph. D. em Física Quântica e um conhecido estudioso da Parapsicologia, usou uma série de esquemas e imagens a seu favor. Expondo temas como identidade, matemática quântica, composição material, realidade, domínio da mente e até mitologia, ele conseguiu envolver centenas de pessoas em uma conversa aparentemente muito, muito difícil de acompanhar.

Afinal, o que é tudo isso? O que minha visão de “eu” tem a ver com Física Quântica? Como alguém pode ser ativista nem uma área dessas?

Um átomo tem camadas. Vamos por uma de cada vez.

Você existe mais que eu?

Primeiro, é preciso desfazer um possível engano. A ciência convencional, que venera a matéria, tem muita dificuldade em lidar com a diferença entre objeto e sujeito, em especial por que, segundo Amit, suas crenças vestem uma “camisa de força”. Enquanto ela consegue caminhar com os próprios pés pelos caminhos do objeto, mal engatinha na jornada do sujeito.

Quem é o sujeito?

(Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)
(Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)

De acordo com Amit, você é. “Você bate no peito e diz eu“, ele observa e a plateia concorda. Quando olhamos para a outra pesssoa, geralmente nos esquecemos de que ela é um sujeito tanto quanto nós, não simplesmente um objeto. Isso é o que caracteriza uma visão filosófica conhecida como solipsismo, que é quando achamos que só nós existimos.

Mas não é bem assim, é? As outras pessoas, a não ser que sejam robôs ou zumbis, como Amit sugere que possam ser sem que percebamos, já que o mimetismo comportamental recria padrões que reconhecemos como “humanos”, também possuem suas próprias histórias de vida. Cada um tem seu “eu”. E a Física Quântica está aqui para, dentre outras coisas, mostrar que nós somos únicos até onde nos cabe ser.

Por isso, é importante falar do espaço-tempo, para além do qual se quer ir.

O ativismo quântico

“A raça humana se baseia em hierarquias, um grupo dominando o outro”, observa Amit. “É esse elitismo que está errado na sociedade humana e nas culturas”. De acordo com o professor, os dogmas, utilizados faz muito tempo como ferramenta de controle, são um exemplo de do elitismo que ele menciona, do hábito que dificulta o exercício pleno da democracia. Ele menciona os conflitos políticos que acontecem atualmente no Brasil e a recente eleição de Donald Trump nos Estados Unidos como consequência da imposição de grupos hierárquicos.

(Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)
(Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)

Debater esses fenômenos é uma das formas de ativismo quântico, segundo Amit. Acima de tudo, ele diz, “procuramos mudar o coração e a mente dos cientistas”.

Isso porque a base desse ativismo em especial é chamar a atenção da comunidade científica para a incontestabilidade das descobertas quânticas. Uma dessas descobertas é a da instantaneidade dos fenômenos. Embora se tenha dito por muito tempo que não há nada mais veloz que a luz, estudos realizados por um grupo de físicos parisienses já revelou que dois objetos quânticos se comunicam de forma instantânea, imediata, sem absolutamente nenhum intervalo. Ou seja, são mais rápidos que a luz.

"Não somos um conglomerado de, somos vida!" (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)
“Não somos um conglomerado de moléculas, somos vida!” (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)

Não é preciso ser Ph. D. na área, como Amit para saber disso. “Quando você fala consigo mesmo, a comunicação é instantânea, não é?”, o professor pergunta. “Não precisamos de um sinal para conversar com a gente”. Isso é interconexão, unidade. E Amit esclarece que essa unidade, uma forma de “eu”, mostra que tudo está conectado sempre e instantaneamente. “Mas quem fala assim? São os místicos, os poetas, os artistas… As pessoas têm preconceitos que as cegam e os cientistas se recusam a constatar o que o quântico diz”.

E essa história vai longe, mas vale a pena. Vamos para a próxima camada.

(Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)
(Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)

Unidade no espaço-tempo e a capacidade de ser o outro

De acordo com Amit, as religiões falham porque dizem que você precisa fugir desse ambiente que correlaciona espaço e tempo, seja ele como for. Elas exigem aspirações grandiosas, quando na verdade tudo poderia ser resumido em uma palavra com extremo significado: unidade.

“A Física Quântica diz: não há caminho de dentro para fora do espaço-tempo”, Amit conta. “Não há um caminho a ser seguido”. Ele recorda os participantes desse detalhe que muitos ali já ouviram falar antes. O aqui e o agora são tudo. Conexão e instantaneidade. Onde nasce o corpo, a matéria, e também onde surgem as emoções, o amor, a raiva… Como ser unidade e amar todos como parte de mim?

(Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)
(Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)

Muito simples e complexo. Como Amit já observara antes durante sua palestra, a Física Quântica trouxe questionamentos que constrangeram a ciência materialista na simplicidade das ideias, mas subverteram toda uma perspectiva de universo nas constatações do quão difícil é compreendê-la.

Pois a resposta, em resumo, parece ser a alteridade.

“Todo mundo diz o tempo todo que o amor é essencial, os Beatles disseram lá nos anos 1960 que ‘all we need is love’, mas não é fácil assim”, adverte o cientista quântico. “O amor sexual, esse sim, é muito fácil. Mas para o amor incondicional eu preciso te olhar de um lugar não solipsista, a partir das suas escolhas, sentir o que você sente na sua pele, e só assim eu posso amar você”.

Saltos quânticos

Amit falou, ainda, sobre a capacidade criativa e os salto quânticos. O que são eles? Para entendê-los, entenda que há sempre uma chance de algo acontecer e uma chance de não acontecer. Qual é maior, depende da situação. Mas o professor usou o exemplo de quando você se aproxima do semáforo. Ele pode ficar verde quando você chegar, pode ficar vermelho. Como vai ser? Será que ele vai “te ajudar”, já que você está com pressa?

"O eu tem poder causal" (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)
“O eu tem poder causal” (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)

Os saltos quânticos acontecem quando se une “o bom ao agradável”, no termo popular. E este não é um processo construído, ele simplesmente acontece. Afinal, são milhares de possibilidades, associações e cruzamentos de fenômenos todos os dias, na vida de todas as pessoas. E é exatamente por isso que, na maioria das vezes, para que surja um poderoso insight é preciso apenas… esperar.

“Assim como os cientistas que pensam foram do átomo são quânticos, os criativos simplesmente pensam em algo novo, em algo fora da caixa”, Amit observa. “Isso é salto quântico”. E ele faz questão de avisar que fazer nada é essencial para a criatividade. Isso soa chocante para você?

Então se prepare para entender o que tudo isso tem a ver com felicidade, afinal.

Vamos à camada externa deste átomo.

Possibilidade x realidade: a batalha final

Existe uma diferença crucial entre realidade e aquilo que Amit chama de domínio da potencialidade, que é o que os psicólogos chamam de inconsciente, as escolhas que fazemos mesmo sem perceber. E o grande trunfo da Física Quântica, de acordo com o cientista, é ter descoberto pela primeira vez uma forma tão eficiente de acessar esse domínio e entender melhor esse mundo de acontecimentos.

(Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)
(Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)

“Eu escolho o ‘eu’ que eu quero”, Amit diz. “E esse ‘eu’ tem poder causal, porque eu escolho e o mundo acontece a partir disso”. Ou seja, a Física Quântica sugere que nós somos os próprios significadores de nossas experiências. E se você pode escolher, você vai escolher ser feliz ou infeliz?

A resposta parece óbvia. Na plateia, ninguém levantou a mão quando Amit perguntou quem escolheria ser infeliz. “Nem uma pessoa? Não é possível! Tanta gente e nenhuma prefere ser infeliz? Se todo mundo aqui quer ser feliz, por que não somos?”.

O segredo, segundo o professor, é dar significado às coisas, se envolver com elas. A vida ganha outro sentido quando nos dedicamos, quando oferecemos empatia, quando doamos nossa atenção. Até mesmo o cientista consegue chegar à essa conclusão, como mostra Amit. Afinal, ele acredita que a felicidade tem a ver com prazer. Como ativar o prazer sem a dor, para que a felicidade não escorra tão rápido entre os dedos? Dando significado. E o que dá significado?

A mente.

Lembra do semáforo? Há uma consciência, que é a unidade, aquilo que Amit abordou no começo da palestra. Se o seu momento estiver em consonância com a consciência, o semáforo vai abrir assim que você se aproximar dele. E você vai ficar feliz. Amit conta que cada um de nós tem enorme potencialidade de conseguir com que nossos movimentos estejam em consonância com a consciência. Mas e quando isso não acontece?

(Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)
(Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)

“Tudo bem, não foi dessa vez”, Amit responde, tranquilo. E feliz. Pois aí mora a felicidade: a capacidade de se recompor das vezes em que nossos movimentos não estiveram em consonância com a consciência, das vezes em que as coisas “não deram certo”.

Mas não se esqueça: o poder de decidir se isso vai te arruinar ou te engrandecer é seu.

Confira abaixo mais fotos da tarde de ontem:

A publicitária e especialista em Coaching Quântico Andrea Neiva palestra sobre os chakras e a importância do amor próprio (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)
A publicitária e especialista em Coaching Quântico Andrea Neiva palestra sobre os chakras e a importância do amor próprio (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)
O público se emociona com o canto da Oração de São Francisco (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)
O público se emociona com o canto da Oração de São Francisco (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)

img_4008img_4029img_4033img_4042img_4051

A apresentadora do congresso, Aline Castro, pede que as pessoas aproximem suas mãos da cabeça da pessoa ao lado e transmita amor (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)
A apresentadora do congresso, Aline Castro, pede que as pessoas aproximem suas mãos da cabeça da pessoa ao lado e transmita amor (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)

img_4063

Vania Slaviero anuncia a homenagem à Professora Monserrat Fernandes (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)
Vania Slaviero anuncia a homenagem à Professora Monserrat Fernandes (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)

img_4074img_4079

Na presença de Amit e conduzida por seu neto e discípulo de yoga, Monserrat Fernandes recebe a homenagem do I Congresso Internacional de Felicidade (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)
Na presença de Amit e conduzida por seu neto e discípulo de yoga, Monserrat Fernandes recebe a homenagem do I Congresso Internacional de Felicidade (Foto: Edmar Borges/Revista Mandala)

img_4092

Continue acompanhando a Revista Mandala! Muito mais vem por aí na cobertura do I Congresso Internacional de Felicidade 😉

Edmar Borges

Jornalista latino-americano sem dinheiro no banco nem parentes importantes, ilustrador vindo do interior de Minas Gerais. Acredita que um dia a tecnologia e a espiritualidade vão ter uma linda prole. Você também me encontra em omxxnamashivaya.tumblr.com

Comentar

Assine nossa news!

Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.