Revista Mandala

O que realmente é um eclipse e como o fenômeno de hoje influencia seu comportamento?

Mitologia e astrologia, conhecimento e poder, sol e lua: um espetáculo vibrante e perturbador que pode ajudar você a se reconciliar consigo mesmo.

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Por Ana Paula D’Almeida, astróloga e colaboradora da Revista Mandala.

Se ainda hoje os eclipses são eventos incríveis, com o poder de mobilizar as pessoas no mundo todo, imagine o quanto eram assustadores para os nossos antepassados. Não era à toa que pessoas que tivessem a capacidade de prever tais eventos fantásticos adquiriam uma espécie de superioridade e poder sobre os demais. Não é de hoje que conhecimento e poder andam juntos, como se fossem a cauda e a cabeça do mesmo dragão!

O eclipse é um evento astronômico que envolve a Lua, o Sol e a Terra.  Os planetas percorrem os céus através de uma faixa imaginária no espaço chamada eclíptica, o caminho do Sol. A Lua, porém, com seu movimento particular, a cada 30 dias atravessa a faixa da eclíptica na direção norte ou sul. Estes pontos, determinados pelo cruzamento das órbitas solar (eclíptica) e lunar,  indicam a posição por signos e casas dos Nodos Lunares. Eclipses ocorrem quando Sol ou Lua estão em conjunção (no mesmo grau) com os Nodos Lunares.

Na mitologia hindu, os Nodos Lunares eram associados a um imenso dragão. O Nodo Norte é também conhecido como a Cabeça do Dragão e o Nodo Sul como a Cauda do Dragão. Na mitologia hindu se dizia que tanto os deuses quanto os demônios precisavam de uma bebida chamada “Amrita”, uma espécie de néctar ou elixir sagrado, a fim de manterem imortalidade e eterna juventude. Quando a Amrita deixou de ser acessível em seu meio, os seres divinos e demoníacos, que sabiam que ela poderia ser encontrada nas profundezas do Oceano Cósmico, tiveram que unir forças para buscá-la, pois nem os deuses e nem os demônios eram capazes de extraí-la sozinhos.

Dessa forma deuses e demônios resolveram se unir em um esforço conjunto. Eles viraram a montanha do mundo de cabeça para baixo, introduzindo seu cume no Profundo Oceano Cósmico. Com isso muitas coisas brotaram deste vasto Oceano, até que enfim, encontraram Amrita. Enquanto Deuses e demônios lutavam para apanhar a Amrita, surgiu uma bela mulher, chamada Mohini. Com uma taça do precioso elixir, ela pediu que deuses e demônios formassem duas filas para receber a substância.

Mohini leva a fonte da vida para os deuses e os demônios no Oceano Cósmico (Imagem de autoria desconhecida)

Enquanto os deuses recebiam Amrita, um demônio chamado Svarbhanu, o qual tinha a forma de um dragão, entrou na fila entre o deus-sol e o deus-lua. Ao perceberem o engodo, os deuses gritaram e rapidamente o deus Vishnu veio em socorro e cortou o demônio dragão em dois. Quando Mohini terminou a fila dos deuses ela simplesmente desapareceu. Os demônios haviam sido ludibriados!

Mohini era, na verdade, uma emanação de Vishnu, que deliberadamente agiu no sentido de evitar que os demônios também recebessem Amrita. O único demônio que recebeu Amrita foi Svarbhanu, que, mesmo tendo sido cortado ao meio, não podia morrer, pois havia provado a Amrita. Svarbhanu era agora dois seres, a cabeça do dragão, chamada Rahu, e a cauda do Dragão, chamado Ketu. Rahu e Ketu tinham raiva do Sol e da Lua por eles terem gritado e atraído Vishnu, e por conta disso eles perseguiam esses dois astros nos céus e de tempos em tempos, os engoliam.

Representações da cabeça e da cauda do demônio dragão Svarbhanu de acordo com a mitologia hindu.

Essa é uma forma poética de explicar o perturbador fenômeno eclipse.

Atuais estudos e objetos de observação celeste nos mostram que quando um objeto é iluminado forma-se uma sombra, e é exatamente isso que acontece no espaço que fica por trás da terra em relação à luz do Sol. Qualquer corpo celeste que esteja passando por essa sombra será eclipsado. A sombra é composta de duas partes: a penumbra, que é a sua região periférica, e a umbra, que é a sua região central, mais escura. Dizemos que o eclipse é total quando o corpo celeste em questão passa pela penumbra e pela umbra. Isto é o que ocorre quando temos um eclipse lunar, quando a terra se coloca entre Sol e Lua, não permitindo que o astro rei ilumine a cálida Lua.

Já no eclipse solar é a Lua que se interpõem entre a terra e o Sol, impedindo que o mesmo derrame seu calor sobre nós. É este tipo de eclipse que ocorre hoje e que vai poder ser visto em sua completitude nos EUA. Porém, em toda a America do Norte, na América Central e no norte da América do Sul o fenômeno poderá ser apreciado parcialmente.

Sob a ótica da Astrologia, pode-se dizer que quando um astro é eclipsado sua influência é interrompida, e ainda que isto ocorra de forma bastante breve (neste caso dois minutos e quarenta segundos), como um pequeno blackout, sua influência se estende até que ocorra o eclipse na polaridade oposta (em fevereiro de 2018).

A sombra é composta de duas partes: a penumbra, que é a sua região periférica, e a umbra, que é a sua região central, mais escura.

Tradicionalmente os eclipses tem influência maior em movimentos mundiais e coletivos. Eles geralmente marcam pontos de mudanças súbitas, sobretudo nos níveis político e social, e seu impacto recai principalmente sobre as regiões do mundo nas quais pode ser visto. O eclipse em questão poderá ser apreciado em sua totalidade em uma grande faixa dos EUA, atravessado do Pacífico ao Atlântico. O eclipse irá se dar nos últimos graus do signo de Leão, o qual está associado à Monarquia.

A luz direta do Sol tanto mostra quanto oculta, afinal, apenas à noite é que podemos ver as estrelas e os vaga-lumes.

É curioso que o eclipse que acontece no eixo Leão/Aquário lance sua sombra sobre a nação que se apresenta como o baluarte da democracia (regida pelo signo de Aquário), mas que recentemente escolheu um líder que não se sente nem um pouco constrangido em vestir a coroa real (a Monarquia é regida por Leão). Mais interessante ainda é que, supostamente, o eclipse ocorrerá em conjunção com o grau ascendente do Mapa pessoal do presidente americano.

De fato, os eclipses também podem ter alguma influência a nível pessoal, especialmente se acontecerem em conjunção com algum ângulo ou planeta natal, mas tal efeito é menos relevante. Ainda assim, se você tem planetas nos últimos graus de Leão, Aquário, Touro e Escorpião, poderá sentir os efeitos do eclipse pelos próximos seis meses, dependendo do planeta afetado e de sua posição no Mapa Natal.

Quando ocorre um eclipse solar é como se a racionalidade, a criatividade e a consciência nos abandonassem por alguns momentos. Ficamos à mercê dos impulsos emocionais e inconscientes. Ficamos, de certa forma, paralisados. Todavia a luz direta do Sol tanto mostra quanto oculta, afinal, apenas à noite é que podemos ver as estrelas e os vaga-lumes.

Da mesma forma que deuses e demônios encontraram Amrita nas escuras profundezas do Oceano Cósmico, também podemos encontrar soluções para os nossos problemas em momentos de introspecção.

Ana D´Almeida

Consultora astrológica.
Email: anadalmeidasaturno@gmail.com

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