Revista Mandala

Os pactos de namoro e as (in)fidelidades

À medida que o tempo de relacionamento cresce, os casais começam a sentir necessidade de rever aquele pacto inicial, pois no meio do caminho surgem pessoas interessantes, seja no trabalho, na faculdade ou no grupo de novos amigos, e junto com as pessoas interessantes surgem desejos e emoções. Então como lidar com isso?

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Por Maiana Antunes – maiana@metadecuca.com

Quando um casal inicia um namoro, naturalmente se estabelece um pacto. Na maior parte dos relacionamentos, esse contrato compreende a não-traição, ou seja, a fidelidade durante todo o tempo em que estiverem juntos. Acontece que geralmente os casais recém formados não falam sobre esse pacto de maneira explícita. Parece natural que cada um se comprometa com a fidelidade, afinal, por uma série de valores que parecem naturalmente impostos pela família, costumes ou sociedade, a premissa base de qualquer relação é manter-se fiel ao parceiro. Mas o que é fidelidade? Você pode me dizer que ser fiel é não se relacionar afetiva-sexualmente com outra pessoa que não seja o namorado(a). Alguns dizem que apenas fantasiar histórias românticas ou sexuais com outra pessoa já se configura traição, assim como trocar mensagens pelo telefone ou redes sociais também seria um ato infiel.

À medida que o tempo de relacionamento cresce, os casais começam a sentir necessidade de rever aquele pacto inicial, pois no meio do caminho surgem pessoas interessantes, seja no trabalho, na faculdade ou no grupo de novos amigos, e junto com as pessoas interessantes surgem desejos e emoções. No início do namoro, quando tudo era tão bonitinho e florido, não se cogitava o interesse por outras pessoas, por isso não havia necessidade de falar sobre traições. Mas, como somos envolvidos por um turbilhão de sentimentos e muita gente interessante cruza por nós durante a vida, tudo pode mudar de um dia para o outro e isso não é uma questão de escolha. As emoções se atiram no nosso colo e a gente tem que se virar com essa batata quente.

Não que o sentimento gostoso pela pessoa com quem nos relacionamos deixa de existir quando surge alguém que nos atrai, mas é inevitável se sentir confuso com os sentimentos que surgem, pois um dilema se instala quando estamos presos a um pacto de fidelidade: eu gosto dela/dele mas estou interessado em outra pessoa agora. O que faço? Muitas pessoas se sentem presas no relacionamento, pois ficam atraídos pela ideia de conhecer outras pessoas ao mesmo tempo em que compactuaram por ser fieis. Surge um desconforto natural, visto que muitos se sentem em um beco sem saída. Revelar para o parceiro o que está passando parece algo fora de cogitação, pois o outro não aceita que você se interesse por outras pessoas nem em pensamento. Mas será que o namorado(a) não sente o mesmo? Será que ele também não está se sentido preso àquele pacto inicial?

Por isso, uma boa conversa para rever o contrato do namoro é importante. Muitas vezes o que surge é fogo de palha, mas às vezes as emoções perduram e causam uma confusão danada e pode azedar um relacionamento bacana não somente porque um de vocês está atraído por outra pessoa, mas porque o contrato precisa ser revisto – para ambos os lados. Ninguém tem culpa de sentir algo por outras pessoas, acho até natural. O ponto crucial é conversar e ver quais termos do contrato de namoro precisam ser revistos, afinal todo mundo muda o tempo todo e essas mudanças podem ser muito bacanas. Então, se você não sabe mais como lidar com o que tem aí dentro, coloca para fora, com cautela, mas com sinceridade. Se o outro ama você genuinamente, fique tranquilo que ele vai entender. Pode não gostar muito, mas ele(a) vai entender e inclusive irá apontar cláusulas que também acha importante modificar. Ao ser sincero com você e com o parceiro(a), a relação pode tomar rumos muito interessantes com muito mais alegria e tranquilidade.

Maiana Antunes

Fundadora, jornalista e editora da Revista Mandala.

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