Revista Mandala

Pesquisa revela descobertas sobre a interação entre a mente e o corpo no organismo humano

Coordenado pelo neurobiólogo Peter Strick, o estudo revelou que a mente vai muito além do cérebro.

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Este artigo é uma tradução. Ele foi publicado originalmente no site UPMC Life Changing Medicine e pode ser acessado em inglês aqui.

Os neurocientistas da Universidade de Pittsburgh identificaram as redes neurais que ligam o córtex cerebral à medula adrenal, que é responsável pela resposta rápida do corpo em situações estressantes. Essas descobertas, publicadas na edição inicial online da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), fornecem evidências para a base neural da conexão mente-corpo.

Especificamente, os resultados lançam novas perspectivas sobre como o estresse, a depressão e outros estados mentais podem alterar a função dos órgãos e indicam a existência de uma base anatômica real para as doenças psicossomáticas. A pesquisa também fornece um substrato neural concreto que pode ajudar a explicar por que a meditação e certos exercícios, como yoga e pilates, podem ser tão úteis na modulação das respostas do corpo ao estresse físico, mental e emocional.

“Nossos resultados revelaram-se muito mais complexos e interessantes do que imaginávamos antes de começar o estudo”, afirmou o coordenador da pesquisa, Peter L. Strick, Ph.D., presidente do Departamento de Neurobiologia e diretor científico da Universidade de Pittsburgh Brain Institute.

Em seus experimentos, os cientistas rastrearam os circuitos neurais que ligam áreas do córtex cerebral à medula adrenal (a parte interna da glândula adrenal, que está localizada acima dos rins). A equipe científica incluiu como autores principais, além de Strick, o pesquisador Richard P. Dum, Ph.D., professor associado de pesquisa no Departamento de Neurobiologia, e também David J. Levinthal, Ph.D., professor assistente do Departamento de Medicina.

Os pesquisadores ficaram surpresos com o grande número de redes neurais que descobriram. Outros pesquisadores suspeitaram que uma ou talvez duas áreas corticais possam ser responsáveis pelo controle da medula adrenal. O número real e a localização das áreas corticais eram incertos. No estudo publicado no PNAS, o laboratório de Strick usou um método de rastreamento exclusivo que envolve o vírus da raiva. Essa abordagem é capaz de revelar longas cadeias de neurônios interconectados.

Usando essa abordagem, o Dr. Strick e seus colegas demonstraram que o controle da medula adrenal se origina em múltiplas áreas corticais. De acordo com as novas descobertas, as maiores influências surgem das áreas motoras do córtex cerebral e de outras áreas corticais envolvidas na cognição e no afeto.

O corpo e a mente em situações de estresse e conflito

Por que é tão importante saber quais áreas corticais influenciam a medula adrenal? As respostas intensas ao estresse incluem uma grande variedade de mudanças, como aceleração dos batimentos cardíacos, suor e pupilas dilatadas. Essas respostas ajudam a preparar o corpo para a ação e muitas vezes são caracterizadas como “respostas de luta”. Muitas situações na vida moderna exigem uma reação mais pensada do que uma simples “luta ou fuga”, e é claro que temos algumas habilidades cognitivas de controle (ou o que os neurocientistas chamam de controle “de cima para baixo”) sobre nossas respostas ao estresse.

“Graças ao córtex, nós temos opções”, disse o Dr. Strick. “Se alguém te insulta, você não precisa dar um soco ou fugir. Você pode acessar uma perspectiva mais ampla e ignorar o insulto, ou até dar uma resposta. Essas opções são fornecidas pelo córtex cerebral”.

Outro resultado surpreendente foi que as áreas motoras no córtex cerebral, envolvidas no planejamento e desempenho do movimento, fornecem uma contribuição substancial para a medula adrenal. Uma dessas áreas é uma porção do córtex motor primário que se relaciona com o controle do movimento e postura do corpo axial. Esta entrada para a medula adrenal pode explicar por que os exercícios do corpo são tão úteis na modulação das respostas ao estresse. As práticas relaxantes, como pilates, yoga, tai chi e até mesmo uma dança em um pequeno espaço, exigem alinhamento, coordenação e flexibilidade adequados do esqueleto.

O estudo PNAS também revelou que as áreas do córtex que são ativadas quando estamos em um conflito ou conscientes de que cometemos um erro exercem influência sobre a medula adrenal. “Esta observação”, disse o Dr. Strick, “levanta a possibilidade de que a atividade nessas áreas corticais quando você pensa em um erro ou se doi por ele, ou ao pensar em um evento traumático, ocasiona sinais descendentes que influenciam a medula adrenal da mesma maneira que o evento real faria”. Esses achados anatômicos têm relevância para as terapias que lidam com o estresse pós-traumático.

Ligações adicionais com a medula adrenal foram descobertas em áreas corticais que são ativadas durante a mediação consciente e áreas que mostram mudanças na depressão bipolar. “Uma maneira de resumir nossos resultados é que podemos ter descoberto o fator de contato do estresse e da depressão”, diz o Dr. Strick.

Em geral, esses resultados indicam que existem circuitos que vinculam o movimento, a cognição e o efeito à função da medula adrenal e ao controle do estresse. Este circuito pode mediar os efeitos de estados internos como estresse e depressão crônica na função orgânica e, assim, fornecer um substrato neural concreto para algumas doenças psicossomáticas.

Edmar Borges

Jornalista latino-americano sem dinheiro no banco nem parentes importantes, ilustrador vindo do interior de Minas Gerais. Acredita que um dia a tecnologia e a espiritualidade vão ter uma linda prole. Você também me encontra em omxxnamashivaya.tumblr.com

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