Revista Mandala

Qual você acha que é a sua missão aqui?

Uma carta de Benjamin Foley sobre as dores e alegrias de ser exatamente quem a gente é.

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Esta é uma carta escrita pelo autor Benjamin Foley aos seus leitores em 27 de junho de 2017. Tradução: Edmar Borges.

Amigo,

O que você está procurando? Ou, para ser mais minucioso, qual você acha que é o propósito da sua presença aqui?

Talvez você sinta que tem uma missão, mas não consiga realmente definir em palavras do que se trata. Talvez você se sinta perdido, sem um propósito, como se os deuses tivessem se esquecido da sua existência enquanto espalham poeira cósmica sobre o resto da humanidade.

Ou, talvez, você acha que descobriu seu propósito, mas não tem certeza se está no caminho certo.

Se algum desses “problemas” te assombra, você não é o único. Eu sei muito bem como você se sente. Eu mesmo sinto que estou sempre procurando aquele caminho certo que vai dar significado à minha vida e que vai me livrar do sofrimento. Essa busca se manifestou de várias maneiras diferentes na minha jornada.

Primeiro, eu estava fazendo de tudo para conseguir um emprego que pagasse bem. Então, eu me transformei numa daquelas pessoas que rejeitam a escada do sucesso corporativo e resolvi ter um emprego mais descolado, mais moderno. Por fim, mais recentemente, o lance foi começar a escrever em um blog e compartilhar minha história e o que aprendi na esperança de ajudar os outros.

Nenhum desses caminhos estava errado. Mas nenhum deles estava certo também.

Nos dias modernos, parece que empreendedorismo e o discurso “faça o que você mais ama” se tornaram a nossa nova religião. Para sermos vistas como pessoas que chegaram lá, temos que arrancar um negócio ou escrever um livro. Se você não acredita nessa proposta, você é um pecador, indigno de significado ou visibilidade.

Você é essa pessoa que fica do lado de fora observando os justos, esses seres que, ao que tudo indica, já descobriram o que havia para ser descoberto.

Mas assim que uma antiga religião determinou separações e hierarquias que extinguiram o misticismo e a beleza da espiritualidade nasceu o ciclo incessante da necessidade de encontrar o significado através de uma busca profissional.

Esta busca é a causa da frustração de muita gente que se sente inferior por trabalhar de cinco a nove horas por dia em troca de um bom dinheiro, algo que, claro, não é verdade.

O que importa não é o que você faz, se você trabalha sem objetivos lucrativos, se você é um banqueiro ou um empresário. Esses são só títulos profissionais. No final do dia, são apenas formas de ganhar dinheiro. Nenhuma é melhor que outra.

O que realmente importa é o quanto você se dedica a essas atividades. Por que você está fazendo isso? Se você está fazendo o que mais ama escrevendo em um blog na esperança de encontrar nisso o significado da sua vida, pode ser que, no fim das contas, você esteja mais perdido ainda.

Kafka disse isso assim:

“Você não precisa sair do seu quarto. Continue sentado na sua mesa e escute. Você não precisa nem escutar, só esperar. Você não precisa sequer esperar, apenas aprenda a ficar quieto, firme e consigo mesmo. O mundo se oferecerá livremente para você e sem nenhuma máscara. Não dá outra: ele vai rolar em êxtase aos seus pés”.

Um emprego, um negócio, um relacionamento não trarão o significado que você quer sem que primeiro você compreenda totalmente essa verdade básica. Que nada nem ninguém podem completar você.

Você já é uma pessoa completa.

Você já é uma pessoa amada.

E nada que você faça pode tornar isso menos ou mais verdadeiro.

Hoje, este lugar onde você está pisando é um terreno sagrado. Seja você uma pessoa religiosa ou não. Negra ou branca. Americana ou europeia. Você é um ser total e completamente amado. Não tem ninguém fiscalizando você para saber se sua carreira é do tipo “nobre” ou não. O seu valor não é algo que precisar ser provado.

A cada inspiração e expiração você está vivendo essa realidade. Você não precisa fazer nada para colher os benefícios da respiração. Simplesmente acontece. O ar entra em você e sai de você. É uma força vital e que recompensa absolutamente todas as criaturas vivas., até mesmo os grandes banqueiros.

Não há nada que você possa fazer ou não fazer sobre isso.

Então, meus irmãos e minhas irmãs, sejam simplesmente quem vocês são.

Entendam que isso já é tudo. E então, somente então, você vai poder encontrar alguma verdadeira transformação e algum significado.

Se você quer começar um negócio, ótimo!

Se você quer trabalhar na área de finanças e ganhar 100 mil, ótimo!

Podemos também canalizar nossos esforços para servir os outros e utilizar as nossas habilidades em seu potencial máximo. Mas faça isso com o entendimento de que isso não vai te levar a nenhum lugar especial. Você já chegou nesse lugar. Você já ganhou o jogo e todo mundo ao seu redor também. Não há nada que você possa fazer para mudar isso. Não há nenhum prêmio por salvar milhares de vidas ou por trabalhar na recepção da academia.

Arrume a bagunça e descubra a beleza da sua própria alma. Vamos seguir o caminho que nos convém, não porque vai nos trazer felicidade/realização/significado, mas algo vindo do nosso mais profundo senso de conexão com o mundo que nos rodeia.

Com gratidão,

Benjamin.

Edmar Borges

Jornalista latino-americano sem dinheiro no banco nem parentes importantes, ilustrador vindo do interior de Minas Gerais. Acredita que um dia a tecnologia e a espiritualidade vão ter uma linda prole. Você também me encontra em omxxnamashivaya.tumblr.com

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