Revista Mandala

Você já teve a sensação de que seu corpo e seu espírito não estavam no mesmo lugar ao mesmo tempo?

Às vezes, simplesmente parece que não estamos na Terra. Às vezes, estamos até demais. Você sabe o que isso tem ver com o movimento surrealista?

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O mundo físico não é simples. Aliás, nenhum mundo é. Independente de seu posicionamento espiritual ou religioso, todos absorvemos o espaço que nos rodeia e criamos concepções sobre o dharma, o que recai diretamente sobre a forma como experimentamos a existência.

Você já parou para pensar sobre as várias formas subjetivas que o mundo físico toma para se manifestar diante de nós? Às vezes, simplesmente parece que não estamos na Terra. Apesar de estarmos cercados por eventos (talvez sutis como o canto de um pássaro ou escandalosos como o trânsito no horário de pico), parece que não estamos ali de fato, vivenciando aquilo.

© Hossein Zare

Por outro lado, há momentos em que damos importância demais para o plano físico. Cada som é muito alto, cada toque é muito forte, cada dor é muito devastadora. Você já refletiu sobre tudo isso?

O fotógrafo Hossein Zare certamente já. Ele é adepto do surrealismo, movimento que nasceu na França na década de 1920 e se baseia em teorias psicanalíticas para produzir uma arte desprendida do padrão semiótico, ou seja, a partir de uma percepção que foge do óbvio, do consciente, e se aventura em trilhas visuais que brincam com nossa mente.

© Hossein Zare

Em sua obra, Zare busca registrar nossas sensações de desprendimento e apego. Os personagens de suas fotografias, que também têm influências do minimalismo, são sujeitos em suas jornadas particulares de auto-reconhecimento.

O movimento surrealista inaugura justamente esse questionamento: qual a relação entre o que é real com o que achamos que é real? O que é realidade? Grandes nomes das Artes Plásticas, tais como Salvador Dali, Max Ernst, René Magritte e André Masson, seguiram por esse percurso imprevisível do embate eterno entre o palpável e o escorregadio.

“O Ovo Cósmico” de Salvador Dalí, principal nome do Movimento Surrealista (Imagem: reprodução)

 

Em vertentes budistas, por exemplo, podemos encontrar um pouco do questionamento surrealista na relação entre as definições de Nirvana e Samsara, mundos diferentes que se conectam pelas nossas potencialidades enquanto Budas. Em qual mundo estamos? Pergunte a si mesmo, que busca alcançar o Nirvana, quais são as possibilidade de Samsara e qual o papel da sensação na sua experiência.

O surrealismo expressa, portanto, o sentimento puro e complexo do deslocamento. Será que basta corpo e espírito estarem no mesmo lugar ao mesmo tempo para estarmos no mundo físico?

Confira mais algumas fotografias de Hossein Zare:

Todas as imagens da galeria acima são de © Hossein Zare.

 

Edmar Borges

Jornalista latino-americano sem dinheiro no banco nem parentes importantes, ilustrador vindo do interior de Minas Gerais. Acredita que um dia a tecnologia e a espiritualidade vão ter uma linda prole. Você também me encontra em omxxnamashivaya.tumblr.com

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